Jobim e Shimon Peres se reunem em Brasília

O presidente de Israel citou que as guerras clássicas acabaram e que há novo tipo de perigo, o terrorismo

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

10 Novembro 2009 | 12h18

 

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, se reuniu nesta terça-feira, 10, com o presidente de Israel, Shimon Peres. Em discurso, Peres lembrou que esta é a sua segunda visita ao Brasil, falou da importância e da liderança do Brasil na região e citou que as guerras clássicas acabaram e que agora temos um novo tipo de perigo, referindo-se ao terrorismo.

 

Veja também:

link Shimon Peres visita Brasil de olho em 'presença negativa do Irã'

link Kouchner pede a Abbas que não abandone presidência palestina

 

Segundo ele, o terrorismo pode aparecer de diversas maneiras e que, antes, os exércitos tinham leis, uniformes e fronteiras. Hoje, as distâncias diminuíram. Ele lembrou que o Brasil é um país grande e que se tornou industrializado. Já Israel, segundo Peres, é pequeno e não tem como se transformar num país industrial, mas que, no entanto, eles têm ciência e inteligência. Peres afirmou ainda que os dois países podem tentar juntos uma forma de fazer o mundo mais seguro, que não coloque em perigo a vida das pessoas pelo terror.

 

Já o ministro Jobim lembrou que já esteve com Peres há 20 anos atrás quando era ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e agora, que está à frente do ministério da Defesa, pode entender a visão de Peres de que o mundo não é mais de conflitos convencionais, mas de conflitos irregulares e sem uniformes.

 

Jobim informou que o Brasil está buscando a reorganização das Forças Armadas e entregou para Shimon Peres uma cópia em inglês da Estratégia Nacional de Defesa. Ele disse que há um espaço grande para entendimento com Israel e que os dois países têm condições de evoluir na realização de acordos.

 

O ministro citou que já se encontra no Ministério da Relações exteriores de Israel um acordo na área de defesa que está examinando a troca de informações. Ele, no entanto, não detalhou, em seu discurso, que tipo de acordo é esse.

 

O ministro afirmou que Israel tem tecnologia muito avançada, por exemplo, na área de avionics e que tem todo interesse em promover entendimentos com Israel neste setor.

 

Ele lembrou que a Estratégia Nacional de Defesa não é só para garantir a soberania do Brasil, mas proteger o país das ameaças não convencionais. O ministro disse que o país está investindo em pesquisa militar. "Saímos de um momento bipolar e fomos para um momento multipolar, que impõe um compromisso mais forte com a paz", disse Jobim. O ministro destacou ainda que o país pode evoluir nas relações com Israel e que "podemos caminhar juntos".

 

Jobim informou que recebeu um convite de Shimon Peres para visitar Israel no próximo ano e disse que vai programar a viagem. "Veremos onde poderemos ter iniciativas comuns. O Brasil quer chegar ao teto da tecnologia e há disposição por parte de Israel de colaborar conosco", disse o ministro depois de lembrar que a Estratégia Nacional de Defesa estabelece que o Brasil deve buscar a capacitação nacional. "O Brasil não é comprador de instrumento ou de tecnologia. O Brasil quer desenvolver tecnologias em

comum com outros países. Somos parceiros e não compradores", disse.

 

Questionado se Israel poderia colaborar na realização da segurança para Olimpíada e Copa do Mundo, Jobim disse que esse assunto pode ser examinado e que o Brasil já está trabalhando nas necessidades que o país vai ter na organização desses dois eventos.

 

Jobim lembrou que o Brasil já tem experiência com a Eco 92 e com os Jogos Panamericanos e vai realizar, em 2011, os Jogos Militares. "Isso vai nos dar elementos para que sejam estabelecidas estratégias e táticas de ações de segurança que serão comuns e trabalharemos juntos com a Polícia Federal e polícias locais", disse.

 

Jobim disse que não conversou com Shimon Peres sobre a visita que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fará ao Brasil no dia 23 de novembro. Sobre as manifestações contrárias ao iraniano no Brasil, Jobim minimizou: "O Brasil fala com todo mundo. Ninguém vai dizer ao Brasil com quem o Brasil deve falar. O Brasil fala com quem entende que deve falar".

 

O encontro de Jobim e Peres aconteceu no Hotel Golden Tulip, onde foi montando um forte esquema de segurança, que exige a revista de todos que entram no local. Neste momento, os dois estão reunidos na suíte disponibilizada para o presidente israelense.

Mais conteúdo sobre:
Irã Brasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.