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Líder de 'califado' conclama muçulmanos à guerra santa

YARA BAYOUMY - REUTERS

01 Julho 2014 | 19h 55

O líder do grupo dissidente da Al Qaeda que agora se classifica como Estado Islâmico conclamou muçulmanos de todo o mundo a pegar em armas e rumar ao "califado" que declarou em territórios capturados na Síria e no Iraque.

Proclamando uma “nova era” na qual os muçulmanos, por fim, irão triunfar, Abu Bakr al-Baghdadi emitiu o chamado para a jihad – a guerra santa – em uma mensagem de áudio de quase 20 minutos publicada on-line nesta terça-feira.

Foi sua primeira suposta mensagem desde que o grupo, anteriormente conhecido como Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês), proclamou o califado no domingo e o declarou como seu líder – uma tentativa audaciosa de apagar fronteiras nacionais e redesenhar o mapa do Oriente Médio.

Baghdadi, que assumiu o título medieval de califa, usou a mensagem para tentar impor sua autoridade sobre muçulmanos de toda parte. Ele pediu que se levantem e vinguem as supostas injustiças cometidas contra sua religião, da República Centro-Africana a Mianmar.

“Aterrorizem os inimigos de Alá e procurem a morte nos lugares onde esperam encontrá-la”, disse ele. “Seus irmãos, em cada canto desta terra, estão esperando que vocês os resgatem”.

A mensagem de áudio, intitulada “Uma Mensagem aos Mujahideen (combatentes da jihad) e à Ummah (comunidade) Muçulmana no Mês do Ramadã”, foi publicada na Internet pelo braço midiático do grupo. Outra conta ligada ao grupo postou traduções em inglês, russo, francês, alemão e albanês.

“Por Alá, iremos nos vingar, por Alá iremos nos vingar, mesmo se demorar um pouco”, declarou Baghdadi.

Embora o poder crescente do Isil possa seduzir muitos militantes, já surgiram sinais de discórdia. Alguns grupos islâmicos que combatem na Síria rejeitaram o anúncio do califado, dizendo que seus termos não “se concretizaram até o momento”, e exortaram os muçulmanos a não se unir ao Estado Islâmico.

A Associação dos Estudiosos Muçulmanos do Iraque, formada para representar a minoria sunita, informou em um comunicado: “Qualquer grupo que anuncie um Estado ou emirado islâmico... sob estas condições não age no interesse do Iraque e de sua unidade”.

A autenticidade do áudio não foi confirmada de imediato, mas foi veiculada pelo Site, uma organização norte-americana de prestígio que monitora declarações jihadistas.

Os combatentes deveriam “aproveitar a chance e advogar a religião de Alá através da jihad", afirmou Baghdadi.

Ele conclamou os muçulmanos a imigrar para o autodeclarado califado, dizendo ser sua obrigação. Na mensagem direta e confiante, instou-os a “ouvir, perceber e se erguer e se libertar dos grilhões da fraqueza, e encarar de frente a tirania”.

(Reportagem adicional de Ali Abdelaty, no Cairo; de Amena Bakr, em Doha; e de Dominic Evans, em Beirute)