Lúcio Tavora/Efe
Lúcio Tavora/Efe

Lula quer mais países no processo de paz no Oriente Médio

Durante encontro com Abbas, presidente diz que enquanto só os EUA conduzirem negociações não haverá paz

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

20 Novembro 2009 | 14h26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 20, em Salvador durante encontro com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que enquanto os EUA conduzirem o processo de paz no Oriente Médio não haverá paz na região e defendeu a inclusão de mais países nas negociações.

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"Enquanto só os Estados Unidos estiverem negociando, não haverá paz", afirmou. "Quem deveria estar à frente do processo é a ONU, não os Estados Unidos - que são um dos responsáveis pela crise. Por isso o Brasil reivindica mudanças na ONU, para que ela seja representativa de 2010, e não de 1948, quando foi criada, porque a geopolítica do mundo mudou.".

"Ninguém pode ter a primazia na negociação  entre israelenses e palestinos", completou Lula, que ofereceu a contribuição do Brasil como mediador.

Assentamentos

Lula defendeu também que Israel congele "imediatamente" os assentamentos na Cisjordânia. Lula assinalou que além de tomar esta medida, Israel deverá "preservar" as fronteiras com os territórios palestinos e permitir que este povo tenha "mais liberdade de circulação" nas áreas ocupadas.

"A paz justa e duradoura depende de um Estado palestino coeso e próspero. A comunidade internacional não pode se conformar com menos que isso", afirmou Lula após a reunião que manteve com Abbas em Salvador.

Ao presidente palestino, Lula pediu que continue colocando os interesses palestinos acima dos seus próprios" e que siga fazendo parte do processo de paz. "O senhor é parte desse patrimônio, por sua liderança, sua moderação e pelo ânimo e confiança que injeta", disse Lula a Abbas, que lidera a AP desde a morte de Yasser Arafat, em 2004.

 

Há duas semanas, o presidente da AP anunciou que não pretende concorrer à reeleição devido ao impasse nas negociações. O principal motivo seria a recusa de Israel em congelar os assentamentos judaicos em territórios palestinos, uma questão considerada crucial pelos palestinos para a retomada das negociações de paz.

Eleições adiadas

Ontem, em entrevista divulgada pelo serviço árabe da BBC, Abbas confirmou o adiamento das eleições palestinas. Ele voltou a afirmar que não irá disputar a reeleição, confirmando sua ameaça anterior de abandonar o cargo em um reflexo da frustração com a paralisação do processo de paz com Israel.

Na semana passada, a Comissão Eleitoral Palestina recomendou o adiamento da votação, inicialmente prevista para 24 de janeiro, depois de o Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza, ter anunciado que iria impedir a realização do pleito no território. Outro motivo seria a indefinição sobre se Israel vai ou não colaborar com a votação.

O anúncio de Abbas provocou uma crise de liderança na Autoridade Nacional Palestina (ANP), instituição que, no papel, governa os territórios palestinos, mas, na prática, governa a Cisjordânia.

Esta é a segunda visita de Abbas ao Brasil. Em 2005, ele participou no país da 1ª Cúpula América do Sul - Países Árabes.

Após deixar Salvador, o presidente palestino irá a Porto Alegre, onde se reúne com a comunidade palestina no Rio Grande do Sul - a maior do Brasil. Depois, segue para a Argentina.

Com informações da Efe e da BBC

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