Lula volta a criticar EUA por insistir em sanções contra o Irã

O presidente disse que o País fez o que os EUA tentam há 31 anos e não conseguem

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

26 Maio 2010 | 22h59

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar os Estados Unidos por insistirem na decretação de sanções contra o Irã, mesmo depois de Teerã ter assinado acordo proposto por Brasil e Turquia.

 

"Algumas viúvas do tempo do nada reclamaram e falaram mal", comentou Lula, acrescentando que o acordo foi possível, após mais de 18 horas de negociação, "para construir aquilo que há 31 anos os EUA querem fazer com o Irã e não conseguem".

 

Ao defender o diálogo, Lula criticou aqueles que o acusaram de ser ingênuo. "Na véspera que eu estava lá, tinha gente dizendo: 'O Lula é inocente, o Lula não sabe nada porque tem gente que, em vez de sentar numa mesa para conversar, prefere mostrar: 'Eu tenho força. Ou dá ou desce'. Eu não sou assim."

 

Ninguém dá e todo mundo desce. Esse é o meu lema. Vamos tentar fazer com que as coisas sejam resolvidas em conversa franca e aberta", disse, durante discurso na abertura da Conferência Nacional da Ciência, Tecnologia e inovação.

 

Lula comentou ainda que, quando fez o acordo, achava que os países que queriam levar o Irã para a mesa de negociação iriam ficar felizes que Teerã aceitou negociar. E emendou: "No mundo tem gente que não sabe fazer política sem ter inimigo. Primeiro, precisa criar o inimigo. E esse inimigo tem que ser ruim, embora possa não ser, mas tem que fazê-lo ruim. A cara tem que ser feia, e nós temos então que demonizá-lo".

 

Elogiando a diplomacia brasileira, o presidente Lula encerrou com mais uma comparação futebolística: "Nós fomos lá, humildemente, estabelecemos uma política de confiança e, quando fizemos o acordo, é muito mais difícil do que colocar o corintiano e o palmeirense na mesma mesa", completou.

Mais conteúdo sobre:
Irã presidente Lula sanções americanas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.