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Negociador palestino diz que premiê de Israel tem 'chave' do diálogo direto

Para ANP, negociações só ocorrerão quando Israel anunciar a interrupção de assentamentos

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Efe ,

05 Julho 2010 | 09h51

CAIRO - O negociador chefe palestino, Saeb Erekat, assegurou nesta segunda-feira, 5, no Cairo que o primeiro-ministro israelense. Benjamin Netanyahu, é quem "tem a chave" para passar das negociações indiretas a um diálogo direto.

 

"A chave para o trânsito para as negociações diretas está nas mãos de Netanyahu, assim que ele anunciar a interrupção (definitiva) dos assentamentos e a retomada das negociações de paz", afirmou Erekat em entrevista coletiva conjunta com o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa.

 

Erekat ressaltou que "não há nenhum avanço" nas negociações indiretas mantidas sob a mediação do enviado americano George Mitchell.

 

Ressaltou também que o salto para as negociações diretas entre israelenses e palestinos "exige um avanço nos assuntos sobre a delimitação da fronteira, a situação da segurança e o fim dos assentamentos".

 

Sobre a reunião prevista para amanhã entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e Netanyahu na Casa Branca, Erekat disse: "esperamos que Obama encontre uma via e que enquanto haja algum progresso avancemos até as negociações diretas".

 

"Quem buscar o caminho das negociações diretas terá que obrigar a Netanyahu a cessar os assentamentos e recomeçar as negociações de paz interrompidas", acrescentou.

 

Quanto à reunião que ocorre nesta segunda entre o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Salam Fayad, e o titular da Defesa israelense, Ehud Barak, em Jerusalém, Erekat indicou que se mantêm contínuos os contatos com os dirigentes israelenses sobre assuntos econômicos, humanitários e sociais, mas não sobre a situação política.

 

Por sua parte, Musa afirmou que no que caso de que em setembro - mês no qual termina o prazo acordado para o final das negociações indiretas - não se haja alcançado nenhum avanço, a questão do diálogo será transferida para o Conselho de Segurança da ONU.

 

"Não vemos nenhum sinal israelense exceto o que se vê sobre a construção de assentamentos e o bloqueio imposto a Gaza", acrescentou Musa.

 

O secretário geral da Liga Árabe anunciou que irá marcar uma data para uma reunião urgente do Comitê Árabe de Seguimento da Paz (que pertence a seu organismo) afim de avaliar a situação.

 

Reunião em Jerusalém

 

O encontro de acontecem hoje em Jerusalém entre Salam Fayyad e Ehud Barak, é o primeiro encontro de alto nível entre israelenses e palestinos no último ano e meio. Nela, os dois líderes "discutem vários assuntos nas relações entre Israel e os palestinos", informou o Ministério da Defesa em comunicado.

 

Trata-se do primeiro encontro entre dirigentes palestinos e israelenses desde que Israel efetuou entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009 uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza, que causou a morte de mais de 1,4 mil palestinos (em sua maioria civis) e o abandono pela ANP das negociações diretas de paz.

 

Desde então, o diálogo para buscar uma solução ao conflito do Oriente Médio só pôde ser retomado de forma indireta com a mediação do enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell.

 

Ambas as partes deixaram claro que a reunião de hoje entre Fayyad e Barak não estão dentro das negociações de paz, que a ANP se nega a retomar diretamente enquanto Israel não paralisar totalmente a construção nas colônias judaicas no território palestino ocupado da Cisjordânia.

 

"O encontro se centrará em discutir assuntos que afetam a vida diária dos palestinos", informa a ANP à imprensa palestina.

 

Segundo a ANP, estão sendo tratados assuntos como "fórmulas para acabar com o bloqueio à Faixa de Gaza, frear as incursões e detenções (das forças israelenses) na Cisjordânia, e permitir que as forças de segurança palestinas operem em mais áreas da Cisjordânia".

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