Netanyahu põe em dúvida troca de presos com o Hamas

Premiê israelense afirma que não há acordo sobre a soltura de soldado refém por prisioneiros palestinos

DAN WILLIAMS, REUTERS

24 Novembro 2009 | 10h49

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta terça-feira, 24, que uma troca de prisioneiros com o grupo islâmico Hamas ainda não foi definida e pode não acontecer, apesar de um ministro israelense ter previsto algo nesse sentido num futuro próximo. "Ainda não há acordo, e não sei se haverá", disse Netanyahu, cuja recusa em revelar detalhes da mediação egípcia e alemã alimenta especulações sobre um progresso iminente.

Líderes do Hamas, grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza, foram ao Cairo discutir a possível troca do soldado israelense Gilad Shalit, capturado desde 2006, por centenas de palestinos presos em Israel. Fontes próximas à negociação disseram na segunda-feira que Israel havia abandonado suas objeções à libertação de cerca de 160 presos específicos. Mas ambas as partes contrariaram a expectativa, disseminada pela imprensa árabe, de que a troca de prisioneiros poderia acontecer já na sexta-feira, quando ocorre o feriado islâmico do Eid al Adha.

Israel tradicionalmente rejeita qualquer anistia a palestinos presos por ataques que tenham levado à morte de seus cidadãos. Embora demonstre flexibilidade para tentar libertar Shalit, o governo israelense receia a reação doméstica a um eventual acordo com o Hamas.

"Se houver (a troca), não seremos poupados de uma discussão pública. Não faremos isso como um fato consumado. Vamos permitir que os ministros e o público em geral discutam a questão", disse Netanyahu.

Horas antes, o ministro de Indústria e Comércio, Binyamin Ben-Eliezer, que não faz parte do gabinete de segurança que delibera sobre a troca de presos, disse que um acordo estava "avançando para a conclusão num futuro muito próximo."

Ele disse à Rádio Israel que ainda não havia visto a lista dos prisioneiros que poderiam ser soltos, mas que previa um amplo apoio à libertação de alguns chefes militares do Hamas e de outras facções anti-israelenses. "Obviamente haverá nomes de assassinos pesados. O governo irá decidir, e espero que a decisão seja positiva", afirmou.

A decisão também causa emoções profundas entre os palestinos, que veem os quase 11 mil compatriotas presos como heróis nacionais.

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