Novas usinas são 'consequência' da decisão da AIEA, diz Irã

República Islâmica aprovou contrução de mais dez complexos após órgão da ONU emitir condenação

estadao.com.br,

30 Novembro 2009 | 11h29

A decisão do Irã de construir mais dez novas centrais nucleares é consequência da resolução aprovada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na sexta-feira, 27, que condena a República Islâmica por falta de cooperação sobre seu programa nuclear, disse nesta segunda-feira, 30, Ali Akbar Salehi, presidente do organismo de energia atômica iraniano.

 

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Em declarações divulgada pela imprensa local, o responsável iraniano revelou que o regime dos aiatolá pretende construir as novas usinas de enriquecimento de urânio sob colinas e montanhas para evitar ataques aéreos.

 

"Nós não tínhamos planos para construir novos complexos como o de Natanz, mas parece que o Ocidente não quer compreender a mensagem de paz que o Irã envia. O Ocidente adotou uma atitude que obrigou o Irã a ratificar a construção de dez centrais de enriquecimento de urânio similares à de Natanz", argumentou Salehi.

 

Na sexta, a Junta de Governadores da AIEA aprovou uma resolução condenando o Irã por não cooperar transparentemente com as investigações sobre seu programa nuclear e por ocultar a construção da usina de Qom. No domingo, em resposta à condenação da agência da ONU, o Parlamento iraniano aprovou a construção das dez usinas novas.

 

Repercussão internacional

 

O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, qualificou o plano do iraniano como "muito perigoso", segundo o jornal Le Figaro. "O Irã persistir em ignorar as exigências de uma importante agência como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é de fato muito perigoso", afirmou Kouchner, segundo o diário.

 

Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, pediu que o Irã aceite a oferta das potências para que abandone seu programa nuclear, em troca de benefícios. Miliband pediu que o país não caminhe rumo ao "isolamento". Segundo o ministro, o Irã tem direito a um programa nuclear civil com fins pacíficos, mas o país persa precisa "restaurar a confiança internacional" sobre suas intenções.

 

No domingo, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que a construção de novas plantas seria outra séria violação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e mais um exemplo da opção do Irã pelo isolamento.

 

O ministro de Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, advertiu nesta segunda que se o Irã continuar ignorando a comunidade internacional, deverá contar com novas sanções. "Está claro: se o Irã despreza nossa mão estendida deverá contar com novas sanções. O anúncio de que o Irã ampliará seu enriquecimento de urânio vai claramente na direção equivocada", declarou Westerwelle em nota.

 

Diplomacia

 

Nesta segunda-feira, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, afirmou que a questão ainda pode ser resolvida pela via diplomática. Há uma proposta de EUA, China, Rússia, Grã-Bretanha, França e Alemanha para que o Irã envie urânio ao exterior, para que ele seja mais enriquecido e retorne ao país. Com isso, aumentaria o controle internacional sobre o programa nuclear iraniano, reduzindo a chance de se produzir armas em segredo. O país ainda não deu uma resposta final a essa proposta, mas várias autoridades iranianas manifestaram reservas sobre ela.

 

(Com Efe, Reuters e Associated Press)

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