Novo governo afegão sai em 3 semanas; Abdullah não fará parte

Tecnocratas e alguns ministros antigos serão incluídos no novo governo do presidente afegão Hamid Karzai dentro de três semanas, disse um porta-voz na quarta-feira, mas o principal rival de Karzai descartou qualquer participação.

SAYED SALAHUDDIN, REUTERS

04 Novembro 2009 | 09h56

Karzai, que foi reeleito depois que o segundo turno foi cancelado na segunda-feira, recebeu advertências do presidente dos EUA, Barack Obama, do premiê britânico, Gordon Brown, e de outros líderes ocidentais para que desse duro para acabar com a corrupção que manchou seu governo anterior.

O segundo turno foi cancelado depois que o único rival de Karzai, o ex-chanceler Abdullah Abdullah, retirou sua candidatura alegando preocupação com a votação.

A decisão foi tomada depois de semanas de incertezas políticas, enquanto Obama estuda se vai enviar até 40 mil soldados para combater um ressurgente Taliban, que havia ameaçado atrapalhar a votação e que vê a volta de Karzai ao poder como uma farsa.

Karzai havia se comprometido com um governo inclusivo, mas Abdullah descartou tomar parte apesar da pressão por um acordo de compartilhamento de poder.

"Não tenho interesse no futuro gabinete do governo de Karzai e vou seguir com minha agenda, que é de mudança", afirmou Abdullah em uma coletiva de imprensa. Ele disse que a decisão do Comitê Eleitoral Independente (IEC) de cancelar o segundo turno marcado para 7 de novembro foi ilegal, e disse que Karzai não conseguiria cumprir as promessas de reforma.

"Um governo que sai de tal decisão ilegal não será capaz de cumprir (as reformas)", disse Abdullah em seus primeiros comentários públicos desde a decisão do IEC, pedindo ainda que seus simpatizantes mantivessem a oposição pacífica ao novo governo.

O processo eleitoral deixou Washington e os outros parceiros ocidentais de Cabul com tropas lutando no Afeganistão trabalhando com um presidente cuja legitimidade vem sendo questionada, enquanto Karzai enfrenta uma oposição revigorada sob Abdullah.

"O governo que o presidente tem em mente terá lugar especial para especialistas, pessoas profissionais e educadas", disse o porta-voz de Karzai, Siyamak Herawi, à Reuters.

"Terá novas figuras e alguns antigos ministros que se saíram bem", acrescentou.

Herawi disse que o anúncio do novo governo sairá em três semanas.

(Reportagem adicional de Hamid Shalizi e Yara Bayoumy em Cabul, Peter Griffiths em Londres e Ross Colvin e Patricia Zengerle em Washington)

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