Palestinos ameaçam Israel com apoio a um Estado para todos

Dirigente do governo pede que israelenses escolham continuar com a colonização ou tentar viver em paz

Efe, Agência Estado e Associated Press,

04 Novembro 2009 | 13h41

O negociador-chefe da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, propôs nesta quarta-feira, 4, que seu povo abandone a aspiração a um Estado palestino independente e soberano e passe a defender a concepção de um Estado único para israelenses e palestinos com direitos iguais para todos.

 

Numa conversa com jornalistas em Ramallah, na Cisjordânia, Erekat argumentou que a expansão dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados está consumindo terras pretendidas por seu povo para fundar um Estado. De acordo com Erekat, os palestinos deveriam mudar o foco "para a solução de um Estado no qual muçulmanos, judeus e cristãos possam viver como iguais".

 

O governo de Israel não se pronunciou sobre a declaração, mas o Estado judeu costuma rejeitar com veemência propostas similares em meio a temores de que o país perca seu caráter judaico.

 

No momento, os palestinos recusam-se a retornar à mesa de negociações com Israel enquanto o governo do país mantiver a expansão dos assentamentos judaicos nos territórios ocupados.

 

Colonização ou paz

 

Erekat insistiu, porém, que a Palestina não retomará a negociação com Israel enquanto a colonização continuar, e disse que o Estado judeu tem que escolher entre os assentamentos e a paz. "Israel tem a opção: assentamentos ou paz. E espero e rezo para que escolham a paz", disse.

 

O palestino afirmou também que "as negociações não podem continuar pela mera negociação" e que se não tiverem "um horizonte político sério, não faz sentido para a Palestina voltar à mesa de diálogo".

 

O dirigente da OLP quis deixar de lado a recente polêmica gerada pelo apoio da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a uma eventual interrupção israelense na construção de assentamentos, que não inclui a construção de 3 mil casas e edifícios públicos em andamento.

 

"O que queremos do presidente Obama é o que é preciso, e o que se precisa não é reinventar a roda, mas transferir sua visão de dois Estados a uma pista política realista", disse Erekat. "Acreditamos que, se os israelenses pararem os assentamentos, incluindo o crescimento natural (argumento dos israelenses para expandir as colônias), seria um bom começo e daria credibilidade ao processo de paz", concluiu.

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