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Palestinos relembram 5 anos da morte de Arafat

Em meio a crise política e negociações estagnadas, milhares homenageiam líder da Autoridade Palestina

estadao.com.br e Daniela Kresch, de O Estado de S. Paulo,

11 Novembro 2009 | 09h38

Milhares de palestinos se reuniram nesta quarta-feira, 11, em Ramallah, na Cisjordânia, para celebrar o quinto aniversário da morte do líder histórico Yasser Arafat, enquanto a Autoridade Palestina, presidida por Mahmoud Abbas, sucessor de Arafat.

 

Cinco anos depois de sua misteriosa morte num hospital parisiense, o mitológico líder palestino foi lembrado em manifestações e eventos oficiais nos territórios palestinos. Na Cisjordânia, reduto político de Arafat - fundador do Fatah -, as homenagens serão mais visíveis do que na Faixa de Gaza, controlada há dois anos e meio pelo rival Hamas. O grupo islâmico proibiu manifestações em memória de Arafat. A mais recente, em 2007, acabou com sete mortos. Mas, apesar da proibição, é provável que moradores de Gaza improvisem pequenas passeatas.

 

Em Ramallah, o complexo presidencial palestino, a Muqata, ficou cheio de simpatizantes do pai do nacionalismo palestino, que levaram bandeiras palestinas e do Fatah, movimento fundado por Arafat. A concentração, que começou por volta das 11h locais (6h, no horário de Brasília), se transformou em um pedido em massa para que Abbas reconsidere sua decisão de não candidatar-se às eleições presidenciais que convocou para janeiro.

 

Em discurso, Abbas voltou a pedir a suspensão das construções nos assentamentos israelenses para que possa retomar as negociações de paz com Israel, a quem acusou de estar tentando afundar a possibilidade de um Estado palestino. Falando com seguidores de seu partido, Fatah, no quinto aniversário da morte de seu predecessor, Abbas disse que as resoluções da ONU exigem um "quadro prévio claro" para as conversações visando pôr fim a mais de 60 anos de conflito.

 

"Não podemos entrar em negociações sem um quadro. E afirmamos que o quadro é dado pelas resoluções da ONU, ou seja, o retorno às fronteiras de 1967", disse Abbas. "E queremos a suspensão total da construção nos assentamentos, incluindo o crescimento natural e em Jerusalém", disse Abbas, de 74 anos.

 

Em discurso, Abbas voltou a pedir a suspensão das construções nos assentamentos israelenses para que possa retomar as negociações de paz com Israel, a quem acusou de estar tentando afundar a possibilidade de um Estado palestino. Falando com seguidores de seu partido, Fatah, no quinto aniversário da morte de seu predecessor, Abbas disse que as resoluções da ONU exigem um "quadro prévio claro" para as conversações visando pôr fim a mais de 60 anos de conflito.

 

"Não podemos entrar em negociações sem um quadro. E afirmamos que o quadro é dado pelas resoluções da ONU, ou seja, o retorno às fronteiras de 1967", disse Abbas. "E queremos a suspensão total da construção nos assentamentos, incluindo o crescimento natural e em Jerusalém", disse Abbas, de 74 anos.

 

O líder palestino disse à plateia que não queria comentar seu desejo de não se candidatar a um segundo mandado presidencial em uma eleição marcada para janeiro. "Como eu disse em meu discurso, haverá outras decisões que tomarei em função dos fatos futuros", disse ele, referindo-se ao anúncio que fez na semana passada de que não irá se candidatar novamente.

 

Abbas disse que a retomada das negociações requer um compromisso do governo israelense com o quadro do processo de paz, que inclui a suspensão das construções nos assentamentos. Ele acusou Israel de tentar frustrar a "solução de dois Estados", que prevê a criação de um Estado palestino ao lado de Israel e que tem o apoio da comunidade internacional.

 

Israel ocupou a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém oriental em 1967. Os palestinos querem seu Estado próprio nos dois territórios principais e com Jerusalém como sua capital. O premiê israelense Benjamin Netanyahu excluiu a possibilidade de limitar mais do que parcialmente as construções de assentamentos judaicos em áreas da Cisjordânia ocupada não anexadas por Israel a seu município de Jerusalém.

 

Nas últimas semanas, o presidente Barack Obama vem intensificando as pressões sobre Abbas para retomar as negociações, suspensas há um ano, sem aguardar mais limitações israelenses aos assentamentos. Abbas rejeita a possibilidade, e assessores dizem que seu desencanto com a aparente mudança na política dos EUA em relação aos assentamentos foi responsável pelo anúncio feito na semana passada de que não irá se candidatar na eleição que marcou para janeiro.

 

Seus rivais islâmicos do Hamas, que controlam a Faixa de Gaza, rejeitaram a realização de eleições no território, levando analistas a concluir que uma eleição em janeiro é improvável.

 

Vácuo na liderança

 

Abu Amar - nome de guerra pelo qual Arafat é conhecido popularmente - ainda é a grande referência política entre palestinos. Segundo pesquisa de opinião divulgada recentemente, 81,9% dos moradores da Cisjordânia e da Faixa de Gaza têm "saudades" do ex-presidente, que morreu no dia 11 de novembro de 2004 de causas até agora pouco esclarecidas.

 

Meia década se passou e, hoje, o sonho da criação de um Estado independente parece tão ou mais longe do que na época de Arafat. A decisão de seu sucessor, o atual presidente palestino Mahmoud Abbas, de não concorrer à reeleição daqui a três meses parece ter trazido à tona certa nostalgia dos tempos em que palestinos tinham um líder carismático e forte.

 

"A decisão de Abbas reviveu o desejo popular por um líder genuíno. Mesmo entre os que discordavam de Arafat, ele é visto com reverência. Abbas, por outro lado, é mais parecido com um burocrata. É leal aos palestinos, mas não tem a paixão de Arafat", analisa Daoud Kuttab, ex-professor de jornalismo da Universidade Princeton.

 

Para Samir Awad, do Centro de Estudos de Desenvolvimento da Universidade Birzeit, na Cisjordânia, Arafat teria conseguido conter a atual cisão entre Hamas e Fatah. "Ele se mudaria para a Cidade de Gaza no terceiro dia da divisão. Ele tinha o controle, a legitimidade e o carisma - tudo o que falta a Abbas - para superar obstáculos."

 

Se alguma coisa da política palestina se manteve nos últimos cinco anos, foi o impasse nas negociações com Israel. Em 2000, Arafat e o então primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, quase chegaram a um acordo abrangente. Mas tudo mudou com o começo da segunda intifada (levante palestino).

 

Os atentados palestinos e as violentas reações militares de Israel levaram a região a uma espiral de violência. No auge da crise, o ex-premiê Ariel Sharon confinou Arafat em seu quartel-general, em Ramallah, acusando-o de "não ser confiável".

 

Quando Abbas subiu ao poder, em 2005, a expectativa era a de que Israel iria, finalmente, voltar à mesa de negociações. Afinal, ele é tido como um dos líderes palestinos mais moderados. Mas nenhum acordo de paz foi assinado. "O primeiro-ministro israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, diz querer a paz, mas só se Israel controlar tudo. Ele quer que os palestinos aceitem um Estado em pedaços, sem conexão entre Cisjordânia e Gaza, sem soberania.

 

Mas há quem mantenha o otimismo. Para o jornalista Kuttab, depois da morte de Arafat a vida melhorou muito, pelo menos na Cisjordânia. Ele aponta o primeiro-ministro palestino, o economista Salam Fayad, como responsável pelo recente desenvolvimento. Fora isso, Kuttab acha que o objetivo da criação de um Estado palestino está mais próximo do que nunca.

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