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Polícia iraniana dispersa manifestação da oposição em Teerã

Milhares celebram 30 anos da tomada da embaixada dos EUA; partidários de Mousavi voltam às ruas

estadao.com.br,

04 Novembro 2009 | 08h26

Forças de segurança iranianas agrediram manifestantes contrários ao governo com cassetetes e lançaram gás lacrimogêneo para dispersar um protesto nesta quarta-feira, 4, segundo testemunhas e a mídia estatal. Os distúrbios ocorreram ao mesmo tempo em que o regime organizava uma manifestação para marcar o 30º aniversário da tomada da embaixada dos Estados Unidos em Teerã.

 

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Milhares de pessoas se manifestam em frente à embaixada americana em Teerã, em uma jornada em que a oposição reformista convocou protestos contra o governo. As restrições impostas no país proíbem a imprensa de cobrir eventos que não sejam aprovados pelo regime. Houve bloqueios no acesso a celulares e à internet. As autoridades já haviam advertido que não queriam protestos contra o governo durante as manifestações para marcar a tomada da embaixada em 1979, nos turbulentos primeiros meses da Revolução Iraniana.

 

No protesto apoiado pelo governo, era possível ouvir gritos como "Morte à América!". Já entre os oposicionistas a máxima era "Morte ao ditador!". Testemunhas contaram que forças de segurança, sobretudo unidades paramilitares da Guarda Revolucionária, avançaram sobre centenas de manifestantes na praça Haft-e-Tir, no centro da capital. As testemunhas pediram anonimato.

 

Sites favoráveis a reformas no país afirmaram que a polícia lançou gás lacrimogêneo para esvaziar a manifestação na praça. O local fica aproximadamente 1 quilômetro distante do local onde ocorre o evento anual para marcar a tomada da embaixada norte-americana. A agência de notícias estatal República Islâmica confirmou que a polícia usou gás lacrimogêneo. Já a também estatal Press TV citou um ferido nos confrontos. Não há, porém, relatos independentes sobre presos ou feridos.

 

Milhares de seguranças iranianos se reuniram nas ruas de Teerã na quarta-feira para evitar as marchas da oposição. Líderes oposicionistas como Mousavi e Mehdi Karoubi, que disputaram as eleições contra Ahmadinejad, pediram a seus simpatizantes que fossem às ruas protestar contra o governo, apesar das advertências da polícia iraniana sobre "reuniões ilegais". Segundo o site reformista Mowjcamp, Karoubi estava no protesto de quarta-feira. Mousavi e seus aliados, incluindo o ex-presidente Mohammad Khatami, apareceram para encorajar os manifestantes.

 

Segundo testemunhas, grupos de jovens jogaram pedras no centro da cidade contra membros da milícia Basij, que tentavam dispersar os opositores com tiros para o alto, gás lacrimogêneo e cassetetes. Na rua Karim Khan, os manifestantes derrubaram contêineres. Na rua Valie-e Asr, a polícia enfrentou vários grupos de opositores que tinham distribuído panfletos verdes com o nome de Mousavi e fotos de algumas das pessoas mortas na repressão dos protestos contra a reeleição. Segundo a agência Efe, 20 pessoas foram detidas.

 

No dia 4 de novembro de 1979, dezenas de estudantes revolucionários islâmicos invadiram a missão diplomática, detendo 52 pessoas durante 444 dias. Desde então, 4 de novembro é uma data chave para o regime iraniano, que cresceu e se alimentou nos últimos trinta anos com a retórica antiamericana. Após o incidente, os dois países romperam as relações diplomáticas.

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, usou o aniversário da crise dos reféns para pedir a Teerã que fizesse concessões sobre seu programa nuclear, dizendo que o país precisa virar a página do passado e forjar uma nova relação com os EUA.

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