Problema é falta de confiança, não de mediadores, diz vice-chanceler de Israel

Mais cedo, em encontro com presidente Shimon Peres, Lula propôs 'mais interlocutores' no diálogo

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

15 Março 2010 | 10h03

O processo de paz entre Israel e Palestina não é prejudicado pela ausência de novos mediadores, mas pela falta de confiança entre ambos os lados, disse nesta segunda-feira, 15, o vice-ministro do Exterior de Israel, Danny Ayalon. As declarações do vice-chanceler foram dadas durante a visita do presidente Lula ao Estado judeu, onde o brasileiro havia dito se preciso incluir novos atores nessas negociações o diálogo de paz, inclusive o Brasil.

 

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"Não é uma questão de mediação. É uma questão de falta de confiança entre as partes. Israel fez demais desde a conferência de Oslo, em 1993, e está envolvido. Se você checar a posição palestina nesse período, verá que eles não se empenharam tanto. É preciso ver essa questão objetivamente", afirmou Ayalon.

 

Ayalon insistiu que os assentamentos israelenses nunca foram impedimentos para as conversas de paz no passado e que não serão desta vez. O vice-chanceler, porém, esquivou-se de comentar se o governo suspenderá a construção de novas residências para seus cidadãos em territórios palestinos, como foi anunciado na semana passada.

 

O vice-ministro indicou que, para Israel, a importância da visita de Lula está centrada na questão do Irã. Israel defende a imposição de sanções pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas ao país, como forma de pressionar seu governo a adequar-se às resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Lula já se mostrou contra as sanções pretendidas pelo Conselho.

 

"O Irã é uma ameaça não apenas ao Oriente Médio, mas a todo o mundo. Nós compreendemos que Irã hoje está construindo armas de destruição em massa. Apesar de o Irã compreender os apelos da comunidade internacional, eles aceleraram o programa nuclear e provocaram o mundo", afirmou. "A única maneira de parar o Irã é unificar a posição da comunidade internacional", disse Ayalon.

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