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Protestos violentos se espalham por Israel após funeral de adolescente palestino

REUTERS

05 Julho 2014 | 14h 13

Violentos protestos disparados pelo sequestro e assassinato de um adolescente palestino se espalharam por vilas árabes em Israel neste sábado, em um novo desafio ao governo do premiê israelense, Benjamin Netanyahu.

Israel tem se mantido em silêncio sobre a investigação da morte do jovem em Jerusalém oriental, que os palestinos acreditam que foi sequestrado e morto por judeus de ultra direita. Porém, o promotor-geral palestino afirmou que o jovem foi queimado.

"A causa direta da morte foi queimaduras", disse Mohammed Al-A'wewy no final da sexta-feira, segundo a agência palestina de notícias Wafa.

Tensões israelo-palestinas têm aumentado acentuadamente desde que três adolescentes israelenses foram sequestrados em 12 de junho e encontrados mortos em uma área ocupada da Cisjordânia.

Após o episódio, Mohammed Abu Khudair, 16, foi raptado em seu bairro, em Jerusalém oriental. O corpo dele foi encontrado horas depois, nos limites da cidade.

Saber Al-Aloul, diretor do instituto forense palestino, participou da autópsia do rapaz, que foi promovida por médicos israelenses. Segundo Al-A'wewy, Al-Aloul afirmou que fuligem foi encontrada no canal respiratório do jovem, o que significa que "o menino inalou o material quando estava queimando vivo".

Queimaduras cobriram 90 por cento do corpo do rapaz e um corte foi encontrado em sua cabeça. Amostras de tecido e fluidos foram retiradas para novos exames.

Durante o funeral de Khudair na sexta-feira, palestinos revoltados gritaram "Intifada! Intifada!", pedindo um novo levante contra Israel. Pedras foram atiradas contra a polícia, que respondeu com bombas de gás, granadas atordoantes, balas de borracha em uma das mais violentas manifestações ocorridas em Jerusalém em anos.

Pelo menos um palestino ficou ferido nos confrontos na cidade de Nablus durante a noite, afirmaram autoridades médicas.

As tensões persistiam neste sábado ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza, onde aviões de guerra de Israel bombardearam três alvos do movimento Hamas em resposta a morteiros e foguetes disparados contra Israel.