'The Economist' vê estratégia do Irã de se aproximar da AL

Revista britânica afirma que apesar de irritação, EUA podem ver Brasil como mediador com Teerã

BBC Brasil, BBC

26 Novembro 2009 | 23h33

A revista britânica The Economist destaca, na edição desta quinta-feira, 26, a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil e afirma que giro do líder iraniano é parte da estratégia do país de se "aconchegar" na América Latina. Intitulado "Aiatolás no quintal", em uma referência à posição geográfica dos Estados Unidos com relação aos países latino-americanos, o artigo cita a aproximação de Ahmadinejad com diversos governos da região, como a Venezuela, a Bolívia e o Equador.

"As visitas de Ahmadinejad à América Latina o promovem num período em que ele não é bem-vindo em muitos países e enfrenta pressão em casa por conta de sua disputada reeleição", diz a revista. A Economist afirma, no entanto, que o presidente iraniano não havia tido sucesso em conquistar nações maiores como Colômbia, México e Argentina e cita um analista para afirmar que uma visita de Estado ao Brasil "vale dez idas à Venezuela".

A revista comenta a receptividade de Lula ao líder iraniano e o apoio do governo brasileiro ao programa nuclear "supostamente", diz a publicação, pacífico. Mas também alerta para os riscos que o Brasil corre ao apoiar o governo polêmico do Irã.

Entre os riscos citados pela Economist estariam a ambiguidade em defender a importância da democracia e receber um líder que prende ativistas políticos da oposição. O artigo afirma ainda que o Brasil corre o risco de "ultrapassar a linha no seu desejo de ser visto como um país importante".

Nesse sentido, a revista destaca os esforços do país em tentar ajudar a resolver o conflito entre israelenses e palestinos, mas afirma que o Brasil fracassou em mediar crises muito mais simples, como a de Honduras ou a disputa entre Colômbia e Venezuela.

Apesar disso, a Economist afirma que é mais proveitoso um governo brasileiro engajado com os problemas mundiais e que os Estados Unidos, apesar de terem ficado silenciosos com a visita de Ahmadinejad ao Brasil, podem enxergar a possibilidade de o Brasil ser um mediador no diálogo com o Irã.

"A irritação (dos Estados Unidos) em ver o líder iraniano recebido tão calorosamente no seu quintal pode ser suavizada com o pensamento de que pelo menos agora há um canal de comunicação aberto, via Brasília, com Teerã", diz o artigo.

 

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