À espera da espera por um coração

À espera da espera por um coração

adrianacarranca

23 de março de 2011 | 15h39

No twitter @AdrianaCarranca

Queridos leitores, reinicio o blog ainda em meio à corrida por uma vaga em UTI para um primo querido – meu irmão, de fato, já que fomos criados juntos. Aos 47 anos, ele precisa de um transplante de coração, com urgência. Mas a urgência de pacientes no Brasil não é a mesma do sistema de saúde, infelizmente. É triste. E só nos resta torcer, rezar (sim, os agnósticos, ou sei lá que nome tenha a minha forma de ver o mundo e de acreditar em um Deus, também rezam!) e esperar. Uma espera dolorosa e angustiante, que não é só minha – apesar de termos centros de referência mundiais nas mais complexas especialidades, suas vagas ainda são limitadíssimas.

Nesses momentos de angústia, o médico – daqueles “de antigamente” ou “de família”, como diria a minha avó, que visivelmente nasceu para o que faz e exerce a profissão com o critério, dedicação, sensibilidade e respeito dos que aceitam humildemente o dom que lhes foi confiado pelo divino (e Deus sabe mesmo o que faz, não é?), que com vontade dedica a sua vida à salvar a de outros – pode e faz toda a diferença. Seu nome é Dr. Fernando Platania, cirurgião cardiovascular e supervisor do Departamento de Cardiologia do Hospital Ana Costa, em Santos. Obrigada, doutor Fernando! Meu agradecimento também à toda a equipe da UTI cardiológica do Ana Costa, pela dedicação.

Infelizmente, o hospital não realiza transplantes de coração. Somente alguns institutos de referência fazem esse tipo de cirurgia, tão delicada e complexa. Por isso, o paciente precisa da transferência. Só então poderá entrar na fila para um transplante. Ou seja, está à espera da espera por um coração!

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Aproveito para dividir com vocês o link de uma campanha global pela doação de órgãos, Fair Transplant.

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No Brasil, a última campanha de incentivo à doação de órgãos, “Tempo é vida”, foi veiculada em 2008 e por dezoito dias apenas! Para quem não sabe, para tornar-se um doador de órgãos no Brasil, basta que você expresse sua vontade aos seus familiares. Ninguém gosta de falar sobre isso, eu sei. Mas pense que a sua palavra salvará muitas vidas – acho que o pequeno esforço valerá a pena, não?

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Obrigada, caros leitores, pela paciência nesses dias em que estive ausente.
A luta continua.
Vamos em frente!
Abraços,
Adriana Carranca

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