A mentira da reconstrução

A mentira da reconstrução

adrianacarranca

04 de dezembro de 2008 | 04h07

Nas ruas de Cabul, não há qualquer sinal visível da reconstrução prometida pelos americanos ao liderar a invasão do país, após os atentados de 11 de setembro.

A destruição dos prédios tem várias fases desse conflito de três décadas. Algumas áreas foram completamente destruídas durante a guerra civil e continuam assim intactas.

As ruas não têm asfalto, mesmo aquelas em que moram políticos e diplomatas. Só nas avenidas principais, ainda assim, esburacadas.

E a miséria está em toda parte. Nas mulheres de burca pedindo esmola.

Nas crianças trabalhando nas ruas.

Nas casas sem água ou energia elétrica.

Cabul, a capital, tem energia elétrica apenas por quatro horas a cada 48 horas. O restante funciona com imensos geradores, que os pobres, maioria da população, não têm condições de comprar. No último inverno, muita gente morreu de frio. Nos hospitais, há gente que morre porque os aparelhos simplesmente param de funcionar.

Sete anos desde a invasão e a maioria dos afegãos não vê mudança. Isso destrui a esperança trazida com a presença das forças internacionais, comemorada por muitos em 2001, e a confiança no governo de Hamid Karzai. A guerra acontece em paralelo, enquanto as pessoas estão preocupadas em sobreviver, o que alimenta a violência e o terrorismo. Em muitas províncias, sabe-se que os Taliban oferecem salário aos camponeses para lutar do seu lado.

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