A vida como ela é, no Oriente

A vida como ela é, no Oriente

adrianacarranca

17 Julho 2007 | 15h03

Casal assiste ao pôr-do-sol à beira do Nilo

A grande aventura de qualquer viagem é conversar com as pessoas nas ruas, observar hábitos e costumes, freqüentar os locais que os locais freqüentam. E ver tudo aquilo o que você assume como realidade inquestionável cair por terra. A começar pelos dias da semana. No Egito, quinta-feira é sexta-feira, dia de happy hour e fim de tarde à beira do Nilo, onde homens de galabeya, as longas túnicas masculinas, caminham de mãos dadas como é costume local, os casais namoram sem beijo nem abraço e os jovens lotam os bares em torno de shishas, os cachimbos d’água, e drinks sem álcool, proibido pelo Islã. Já a sexta-feira é domingo, o dia do descanso e da reza, seguida pelo sábado. Este, sim, mais ou menos como o nosso, quando parte do comércio abre e já se começa a esquentar os motores para o domingo que, para eles, é segunda-feira – o gato Garfield não faria nenhum sentido no Oriente Médio. Deu para entender? Simplificando: fim de semana no Egito é sexta-feira e sábado. Domingo é o primeiro dia útil. No Irã, fim de semana é quinta-feira e sexta-feira, quando tudo fecha, e o sábado o primeiro dia útil. Nos dois casos, sexta-feira é o dia em que a maioria passa as manhãs nas mesquitas como fazem os católicos nas missas dominicais. É também quando são publicadas as edições especiais e mais rechonchudas dos periódicos, lidos de trás para a frente e da direita para a esquerda, como mandam os idiomas árabe e persa. As bancas de jornais, portanto, exibem suas manchetes na última página e não na primeira. Confuso? Assim que é bom. Começa por aí a aceitação de que existem culturas diferentes da nossa, de que nem tudo – ou quase nada – é do jeito que a gente aprendeu ser e isso é maravilhoso. Ah! Tem também o Mar Vermelho que, de perto, é de um lindo azul da cor do céu.

Fim de tarde de quinta-feira no Cairo é assim…

Namoro no Nilo

Barqueiro no Nilo

Homens de mãos dadas