And the Oscar goes…

adrianacarranca

28 de fevereiro de 2011 | 17h05

social! Não gosto de filme puramente entretenimento e entre ficção e documentário, fico com o último. A realidade é sempre mais rica, complexa e surpreendente do que qualquer gênio é capaz de imaginar, no cinema ou na literatura. Por isso, sugiro os indicados ao Oscar de Melhor Documentário e Melhor Documentário Curta Metragem desse ano, além de Fora da Lei, ficção baseada na história real da independência argelina. Os documentários vencedores foram só dois, Inside Job e Strangers no More; mas há muito filme bom que não levou a estatueta.

Aqui, a minha seleção:

Exit Through The Gift Shop – Realizado pelo artista de rua inglês Banksy, o filme mostra o processo que transformou as grandes metrópoles em museus da crição contemporânea e engajada a céu aberto e democratizou a arte. (Documentário)

Lixo Extraordinário – A co-produção britânica e brasileira de Lucy Walker, com co-direção de João Jardim e Karen Harley, também fala de arte engajada. O filme mostra como o trabalho de gente quase sempre “invisível” tem imenso valor; basta que essa gente seja vista e, através do olhar sensível como o do artista plástico brasileiro Vik Muniz, possa também enxergar o próprio valor. (Documentário)

Restrepo – As câmeras acompanham, durante um ano, um pelotão de jovens soldados americanos, entre 2007 e 2008, no perigoso vale do Korengal, no Afeganistão. Não se trata de um filme pró ou antibelicista, mas de uma espécie de Big Brother da guerra. O público tira suas próprias conclusões sobre a insanidade e os horrores dos conflitos. (Documentário)

Trabalho Interno – O vencedor, explica a lucrativa fraude dos bancos americanos no financiamento e refinanciamento de hipotecas, o que levou à crises do mercado financeiro americano em 2008. Como bem lembrou o diretor Charles Ferguson, nenhum banqueiro ou manda-chuva do mercado financeiro foi preso. (Documentário)

GasLand – Traz de volta à telona o tema ambiental, dessa vez com um paradoxo: em busca de fontes de energia alternativa, ou melhor, dos lucros de sua exploração, empresas americanas provocam desastres ambientais irreversíveis e um rastro de prejuízos para os agricultores. (Documentário)

Killing in the Name – Conta a história dramática de Ashraf Al-Khaled cuja festa de casamento foi alvo de um atentado suicida proovido pela AlQaeda. O casal perdeu 27 familiares naquele dia. Eles estão entre as 88 mil pessoas que, nos últimos cinco anos foram mortas ou feridas por terroristas em todo o mundo, a maioria delas (das vítimas) muçulmana. Desde então, Ashraf tornou-se um militante, dentro da comunidade islâmica, contra o terrorismo mundial. (Documentário Curta Metragem)

Poster Girl – Traz a história da ex-cheerleader Robynn Murray que se tornou combatente no Iraque. O filme mostra os efeitos de uma doença comum entre militares que retornam de locais como Afeganistão e Iraque, chamada de transtorno de estresse pós-traumático. (Documentário Curta Metragem)

Strangers No More – O vencedor da categoria Documentário Curta Metragem retrata o trabalho e o cotidiano entre alunos da escola Bialik-Rogozin, de Tel Aviv, que abriga crianças de 48 países, muitas delas refugiadas da pobreza, política e da violência em seus locais de origem. (Documentário Curta Metragem)

Sun Come Up – Acompanha a trajetória de jovens moradores da ilha de Carteret que são obrigados a se refugiar em Bougainville, por causa de mudanças climáticas que ameaçam o local onde nasceram. O filme discute também a adaptação de refugiados e os problemas que eles encontram em Bougainville, região atônoma de Papua Nova Guinea, que ainda se recupera da guerra civil. (Documentário Curta Metragem)

The Warriors of Qiugang – Acompanha os moradores de uma vila na China central que decidem lutar contra uma empresa química que está envenenando suas terras e a água.
de Ruby Yang e Thomas Lennon. (Documentário Curta Metragem)

Fora da Lei – O filme volta ao tema dos crimes cometidos pelos colonizadores, nesse caso os franceses na Argélia – reproduz o massacre de Sétif, em 1945, em que teriam morrido milhares de argelinos – e toca no tratamento dado hoje aos imigrantes da ex-colônia. Como era de se esperar, o filme foi boicotado por deputados nacionalistas da direita e extrema-direita francesa. (Ficção)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.