Angelina Jolie iraniana

Angelina Jolie iraniana

adrianacarranca

15 de agosto de 2007 | 00h45

A moça da foto não é Angelina Jolie, mas bem que poderia ser. Modelo, atriz, cantora e engajada, ela segue a trilha das celebridades que têm dedicado tempo e dinheiro às causas humanitárias.

Nazanin Afshin-Jam nasceu no Irã, em 1979, o ano da Revolução Islâmica que transformou o país em uma teocracia. A família fugiu para o Canadá, após seu pai ser preso e ameaçado de morte. Longe dos olhos dos aiatolás, livre para mostrar todo o seu talento, a menina conquistou o título de Miss Canadá, chegou à final do Miss Mundo e passou a usar a própria imagem para promover campanhas em defesa dos direitos das crianças e mulheres iranianas.

Os temas estão nas letras de seu primeiro álbum, Someday (A Música da Revolução), lançado ontem nos Estados Unidos, Canadá e Europa. Ela, aliás, canta em inglês, francês e persa.

E não é só visual e vozeirão. Formou-se piloto e cadete da Força Aérea Canadense. Cursou duas faculdades, de Relações Internacionais e Ciências Políticas, na Universidade British Columbia. Ganhou bolsas de estudos e partiu para uma temporada no Instituto de Estudos Políticos, de Paris, e outra no Centro de Estudos Internacionais, da Inglaterra.

Fundou a organização Stop Child Executions, pelo fim da execução de crianças no Irã, onde a pena capital pode ser aplicada, por lei, a meninos maiores de 15 anos e meninas com mais de nove anos. Recolheu 353.682 assinaturas pela libertação da xará Nazanin Mahabad Fatehi, de 17 anos, sentenciada à morte em 2006 por ferir um de três homens que tentaram estuprá-la. Em janeiro, a pena foi perdoada.

Agora Nazanin quer recolher 1 milhão de assinaturas pela revisão de leis que discriminam as mulheres no Irã. E participa de uma campanha educativa para divulgar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com a Youth for Human Rights. Já esteve na Índia e no Sri Lanka, ajudando vítimas do tsunami, levantou recursos para desabrigados do terremoto em Bam (sudoeste do Irã) e para pacientes de fístula na Etiópia. Não raro, é flagrada, megafone nas mãos, liderando passeatas e protestos. Seu lema: “se você pode, você deve”.

Sei que os críticos de plantão vão dizer que é tudo marketing. Mas, olhem pelo lado positivo: ainda que fosse, melhor que ela siga a linha Angelina Jolie do que, digamos, Paris Hilton. Não é mesmo?

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