Cabul-Nova Déli-Londres-Paris-São Paulo

adrianacarranca

17 de dezembro de 2008 | 18h46

Estou de volta. Teriam sido 48 horas diretas de viagem desde Cabul até pisar novamente em São Paulo, não fossem os vôos lotados para o verão no Brasil, que me prenderam por outros três dias em Londres e me obrigaram a acabar voando de Paris na última poltrona disponível no mês de dezembro – A48 – de um Boeing 777 com mais de 300 passageiros.

Confesso que foi um choque acordar de novo no primeiro mundo, como dizem aqueles que gostam de rótulos. Ruas asfaltadas, prédios inteiros, água quentinha, energia suficiente para iluminar as luzes do Natal londrino. Mas o que mais me causou estranheza foi poder de novo andar nas ruas livremente.

Como sou muito mais teimosa do que medrosa, fiz isso muitas vezes pelas ruas de Cabul, inclusive do centro antigo e miserável, pelos mercados de rua e campos de refugiados, para o desespero do motorista e do tradutor que me acompanhavam e teimavam em me alertar sobre o perigo dos seqüestros de estrangeiros. “Pelo menos, não fale em inglês”, pedia o tradutor. Nós combinávamos antes as perguntas que ele teria de fazer a cada uma das pessoas nas ruas e, depois, íamos para um canto qualquer onde ele traduzia as respostas. Uma a uma.

SEQÜESTROS
Fala-se em 70 pessoas seqüestradas. Muitos estrangeiros. Muitos jornalistas. Como no Brasil, a imprensa mantém-se em silêncio para não prejudicar as negociações ou colocar em risco a vida das vítimas. E há ainda os assassinatos recentes, como de uma agente humanitária inglesa e dois funcionários da empresa DHL, entre outros. O clima de insegurança minou a liberdade de ir e vir tanto de estrangeiros como de afegãos, principalmente os que trabalham para organizações internacionais. Muita gente só vê Cabul da janela de um carro. Infelizmente.

Passarei os próximos dias revendo as histórias que apurei e dividindo no blog as lembranças desse lugar castigado por consecutivos conflitos, mas que ainda consegue cativar visitantes como eu.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.