Cadê as portas de saída, presidente?

adrianacarranca

12 de janeiro de 2010 | 16h03

O Bolsa Família foi alvo de minha tese de mestrado. E a conclusão a que cheguei, então, foi a de que, assim como o anterior Bolsa Escola, da forma como havia sido estruturado, trazia muito mais benefícios políticos e econômicos do que sociais. Políticos porque é um programa que não apenas rende votos como também melhora a imagem do governo mundo afora a ponto até de atrair investimentos externos com a melhoria nos índices de renda do País. Econômicos porque, de fato, reduz a pobreza momentaneamente e ajuda a girar pequenas economias locais onde o programa é implantado.

A área social é a menos beneficiada. Embora seja um enorme alento para as famílias que recebem o benefício – e que realmente precisam desse apoio básico para sobreviver -, o programa, a longo prazo, pouco muda. Se retirado, as famílias voltam à estaca zero. Foi o que pude atestar em uma reportagem que fiz ainda em 2006. Por isso, é tão importante, antes de aumentar os beneficiados, como propõe agora o Ministro Patrus Ananias, é preciso reduzi-los, ou seja, emancipar aqueles que já vêm sendo beneficiados há anos e que, em tese, deveriam já estar preparados para seguir sozinhos. Não estão.

Embora seja preciso admitir avanços nos níveis de emprego e renda, a desigualdade segue assustadoramente alta, como mostra relatório do Ipea publicado hoje. Isso significa que os pobres até estão menos pobres, mas os ricos estão muito mais ricos, e o País continua distribuindo seus recursos – na forma de educação e saúde, principalmente – de forma desigual. E nem todos os Bolsas Famílias do mundo vão resolver isso, se os brasileiros continuarem partindo de bases tão distantes.

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