Carbono social

adrianacarranca

02 de setembro de 2008 | 11h27

Agências humanitárias querem que projetos sociais com possibilidade de compensação de carbono tenham os ganhos com os créditos investidos em ajuda às populações mais afetadas pelo aquecimento global. É o chamado carbono social. A produção do caju brasileiro é um exemplo: as agências querem que as empresas produtoras do suco da fruta adotem processos menos poluentes e que o valor gerado com a venda de créditos de carbono beneficie as próprias comunidades produtoras, que podem ser diretamente afetadas por mudanças climáticas. Quem coordena a inicitaiva é a New Economics Foundation (NEF) e o International Institute for Environment and Development (IIED).

A ONU estima que serão necessários US$ 86 bilhões, até 2015, em ajuda aos mais pobres afetados pelas mudanças climáticas, que podem destruir plantações e provocar desastres naturais. O mercado voluntário de créditos de carbono (comprados voluntariamente por empresas não submetidas às regras do protocolo de Kyoto, por exemplo, por seu país não ser signatário do documento, como os Estados Unidos) triplicou entre 2006 e 2007, quando chegou a US$ 331 milhões. Mas muitos geradores de créditos ainda têm dificuldade de encontrar compradores porque são projetos pequenos e os grandes emissores preferem comprar dos grandes, que geram altos volumes de créditos.

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A organização não-governamental Mercy Corps lançou iniciativa semelhante, mas voltada para a redução da pobreza: no site “Cool Carbon” pessoas físicas podem calcular quanto suas atividades (viajar de avião, dirigir, tomar banho etc.) emitem de carbono na atmosfera e doar o valor para projetos neutros – que não emitem carbono – e geram empregos ao mesmo tempo. Na Bósnia, por exemplo, as doações são destinadas a uma fábrica de doces, na cidade Tuzla, para que converta o óleo de cozinha usado em biodísel que, por sua vez, é usado nos ônibus públicos.

Me parece um grande exemplo de parceria público-privada com a sociedade civil. Todo mundo faz a sua parte e todo mundo sai ganhando!

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