Com lenço e documento em terras iranianas

Com lenço e documento em terras iranianas

adrianacarranca

05 de setembro de 2007 | 23h57

Desembarco em um aeroporto moderno e organizado. Peguei o avião errado? Mostro documentos na imigração. Ninguém pergunta nada. Passo pela polícia federal. Não vão vasculhar as malas para ver se trago algum CD “transgressor” do Ocidente? Nada. Nenhuma intervenção na minha chegada, além de alguns poucos olhares curiosos. Entre os quais, os de uma jovem de óculos escuros e um lindo véu azul, com parte dos cabelos à mostra, que não parava de rir.

Era a amiga de um amigo, que gentilmente ofereceu-se para me buscar no aeroporto. O motivo da piada era a minha falta de familiaridade com o véu. “O que está fazendo toda coberta?”, perguntou. E não é pra ser assim? “Não no Irã. Somos muito modernas!”. Ah… “Aqui se pode usar véus coloridos e deixar a franja à vista. Assim”, diz, ajeitando o meu inadequado hijab negro. E você dirige? “É claro! As iranianas fazem tudo o que qualquer mulher faz.”

A minha visão de um Irã oprimido e isolado começou a desabar ali!

Leia aqui o Dossiê Irã

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