São Paulo: rica e desigual

adrianacarranca

22 de janeiro de 2008 | 21h28

Li no Estadão durante as férias. Fosse um país, São Paulo estaria entre os mais ricos do mundo, com um PIB de US$ 102 bilhões, o que coloca a cidade no 47.º lugar entre os países e acima de 22 Estados americanos, quando analisados individualmente. A cidade, com o terceiro maior orçamento do País, também é o lugar escolhido por 30 mil milionários para viver. E isso é bom?

Vamos ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que além de renda considera outros dois indicadores: educação e expectativa de vida. Segundo o IBGE, 51% da população de São Paulo vive com um padrão de IDH abaixo de 0.500, ou seja, semelhante ao dos países mais miseráveis e menos desenvolvidos do mundo, a maioria localizada na África. Somente seis bairros da cidade – Moema, Morumbi, Jardim Paulista, Pinheiros, Alto de Pinheiros e Itaim Bibi – têm IDH acima de 0.800, ou seja, como o das nações desenvolvidas.

Portanto, não me venham com bobagens sobre a auto-suficiência paulistana. A idéia de que riqueza é igual a desenvolvimento é das mais arcaicas. Considerando-se o entendimento mais recente de desenvolvimento, ao qual Amartya Sen, o indiano Nobel de economia e criador do IDH, adicionou entre outros fatores qualidade de vida e liberdade (econômica, civil e política), São Paulo é tão somente um retrato fiel de um Brasil desigual.

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