Fome de democracia

Fome de democracia

adrianacarranca

13 de agosto de 2007 | 14h54

Me impressionou a imagem da fotógrafa Rebecca Blackwell, da Associated Press, publicada no The New York Times de ontem, sobre as primeiras eleições presidenciais em Serra Leoa, desde o fim de uma guerra civil cruel, que durou entre 1991 e 2002 e deixou mais de 200 mil mortos. Podia ser a imagem de mais um episódio de distribuição de alimentos num dos países mais pobres da África*. Mas, ao invés disso, mostra um povo faminto por democracia e mudança.

Apesar do fim da guerra, possível graças a uma missão de paz comandada pela ONU, os problemas que levaram aos conflitos permanecem: pobreza, desigualdade, desemprego e uma elite corrupta no controle do poder e dos negócios com diamantes, realidade romantizada no filme Diamantes de Sangue, com Leonardo DiCaprio. Tudo isso ainda faz de Serra Leoa uma nação instável. Por isso, a importância dessas eleições, a primeira com a participação real e livre de candidatos opositores. A foto acima foi tirada na capital, Freetown (ironicamente, “cidade livre”, em português).

PARA SABER MAIS
O filme com Di Caprio, aliás, foi inspirado num violento, mas, excelente documentário do jornalista e cineasta africano Sorious Samura, entitulado Cry Freetown. Não encontrei o filme para alugar no Brasil, mas pode-se comprar o DVD pela Internet. Eu assisti o filme na CNN, transmitido junto com um especial sobre Samura. Uma espécie de making-off do documentário, escrito pelo autor para a emissora, pode ser lido aqui. Para conhecer melhor o trabalho de Samura, cujos filmes têm feito muito mais pela dura realidade dos países da África do que muito relatório oficial, acesse o site do autor.

* Antes que me acusem de preconceito, informo que Serra Leoa é o penúltimo País em renda, educação e expectativa de vida, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano 2006, tendo melhores indicadores do que o Níger apenas, entre 177 nações.

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