Iraque move ação bilionária contra empresas envolvidas em esquema que beneficiou o ditador Saddam Hussein

adrianacarranca

07 de agosto de 2008 | 21h23

O governo iraquiano entrou com uma ação bilionária contra dezenas de empresas pelo suposto esquema de corrupção no programa Oil for Food (Petróleo por Alimentos), que na década de 1990 permitiu ao Iraque, então sob fortes sanções econômicas, trocar seu petróleo por comida e remédios à população. Com a ajuda das companhias, o ex-ditador Saddam Hussein teria usado o programa para desviar dinheiro.

As investigações, lideradas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos ), apontaram o envolvimento de 2.200 empresas, de 66 países, que teriam pago U$ 1.8 bilhão em propinas a Saddan em troca de contratos para fornecer alimentos e remédios ao programa. A ação civil movida pelo governo iraquiano, só agora, alega que o esquema impediu que, pelo menos, U$ 67 bilhões em ajuda humanitária chegassem à população iraquiana.

Na época, o escândalo derrubou o chanceler indiano, Natwar Singh, levou ao banco dos réus executivos de empresas envolvidas no esquema, e quase resultou na renúncia do então Secretário-Geral das Nações Unidas Kofi Annan. Ontem, o atual Secretário-Geral, Ban Ki-moon, pediu o fim definitivo do programa. A iniciativa foi desativada em 2003, quando suspensas as sanções contra o Iraque. Mas, segundo informou Ban à Rádio ONU,há ainda 132 cartas de crédito do programa – num total de US$ 273 milhões (cerca de R$ 410 milhões) – em aberto.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: