Em São Paulo, mais asfalto e menos metrô

adrianacarranca

26 de abril de 2010 | 15h47

A mesma edição do Caderno Metrópole de hoje traz a reportagem de Renato Machado sobre a redução no índice de congestionamentos na Marginal do Tietê, com as novas pistas, a um custo de R$ 1,3 bilhão; e reproduz a matéria do repórter Felipe Grandin, do Jornal da Tarde, sobre o governo do Estado ter deixado de investir, curiosamente, R$ 1,3 bilhão na expansão da rede de metrô de São Paulo, no ano passado.

Segundo a reportagem de Grandin, o obstáculo nas obras do metrô não foi a falta de dinheiro, mas atrasos no cronograma nas linhas 5-Lilás, 4-Amarela e 6-Laranja. A 2-Verde foi a única a receber toda a verba prevista, mas ainda assim houve atraso. O Metrô limitou-se a informar, por nota, que o cronograma pode variar “em aproximadamente cinco meses para mais e um para menos”. Mas, como bem lembrou o especialista em transportes Horácio Figueira, se não houve falta de verba, o atraso resulta do mal planejamento.

Já as novas pistas da Marginal do Tietê vão de vento em popa. É verdade que foram capazes de desafogar o trânsito num primeiro momento. Mas, ao mesmo tempo, atraíram 30 mil carros a mais por dia, um indício incontestável da possibilidade de saturamento num futuro breve, como mostra a reportagem.

O poder público insiste, mas até os pneus dos caminhões que trafegam nas marginais estão carecas de saber que, no longo prazo, investir no transporte privado em detrimento do público só leva a mais congestionamentos e gastos públicos.

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