O efeito Bush

adrianacarranca

25 de novembro de 2007 | 23h50

Depois da ascensão dos governos de esquerda na América Latina, muitos dos quais eleitos com base em discursos nacionalistas, pela independência da região e anti-imperialismo americano – a Venezuela de Hugo Chávez, a Bolívia de Evo Morales e o Equador de Rafael Correa são apenas alguns exemplos – ontem foi a vez dos australianos irem às urnas para votar contra Bush. O fracasso do presidente americano – com uma economia desacelerada, o beco sem saída em que se viu diante do aumento da pressão internacional por medidas contra o aquecimento global e o vexame da guerra no Iraque – vem ajudando (e muito!) justamente seus desafetos, agora até do outro lado do mundo e num país tradicionalmente aliado.

Kevin Rudd, do Partido Trabalhista, foi eleito – após 11 anos do governo conservador – com promessas de tirar os 500 soldados australianos do Iraque, ratificar o protocolo de Kyoto e tornar-se mais independente dos Estados Unidos, aproximando-se de outros mercados como a China. A derrota dos liberais, com tamanha vantagem, surpreendeu os conservadores. De acordo com a Comissão Eleitoral, o Partido Trabalhista australiano levará 83 dos 150 assentos no Parlamento – 23 a mais do que nas últimas eleições – enquanto aos liberais restará 48 assentos – 74 a menos. Até esse posting ser colocado no ar, sete assentos continuvam indefinidos, inclusive o do derrotado John Howard.

Nas urnas, Howard tinha em seu favor uma economia estável e boas taxas de emprego, mas perdeu a confiança dos eleitores graças a um ditado popular: “diga-me com quem andas e te direi quem és”.

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No mais, peço desculpas pela longa ausência. E vamos em frente!

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