Obama x McCain

adrianacarranca

04 de junho de 2008 | 12h50

Quando Bush ingressou à Casa Branca, encontrou um país em paz, com um superávit primário alto e uma imagem de nação a ser preservada. Quando deixar o posto, entregará a seu sucessor um país em guerra, que atravessa uma crise econômica e precisa reconstruir sua imagem junto ao mundo. Aqui, o que pensam os candidatos, agora definidos, sobre alguns temas globais:

EUA E O MUNDO
Em uma pesquisa, feita em 2007 pelo Program on International Policy Attitudes (PIPA) e BBC, em 26 países, 51% dos entrevistados responderam que os Estados Unidos exercem influência negativa sobre o mundo. Os principais motivos são a guerra no Iraque e o Guantánamo.

Obama – Em discurso de posse, ontem, Obama disse que os EUA devem agora focar no poder da diplomacia. “Eu irei me encontrar não apenas com nossos amigos, mas com nossos inimigos, não apenas os líderes de quem eu gosto, mas aqueles de quem desgosto.” Em outra declaração, ele disse: “Não conversar (com os inimigos), não nos faz parecer fortes, mas arrogantes, e nos nega a oportunidade de fazer progressos, e torna mais difícil para a América conseguir suporte para a uma posição de liderança mundial”.

McCain – Acredita que Obama é ingênuo e inexperiente e que discutir com inimigos só “legitima uma pessoa que tem muitos, muitos anos – décadas de histórico de crueldade e opressão das pessoas de Cuba”, usando como exemplo Fidel Castro.

RELAÇÕES COM A ONU
A investida military unilateral no Iraque, sem a aprovação da ONU, causou tensões entre a ONU e os EUA. Os EUA são os maiores financiadores da organização, mas também os maiores devedores. Todos os anos, o Congresso americano aprova um orçamento menor do que aquele necessário para manter as operações da ONU. O débito chega a U$ 2 bi.

Obama – Declarou que a habilidade dos EUA de liderança na ONU é prejudicada quando o país não cumpre com suas obrigações financeiras assumidas com a organização.

McCain – Propôs em um artigo à Foreign Affairs a criação de uma nova organização, uma Liga de Democracias, para “complementar” a ONU.

TORTURA
A administração Bush legitimou o uso de técnicas de investigação e interrogação que saem dos limites estabelecidos pela Convenção Contra a Tortura, da ONU. Os prisioneiros são mantidos sem julgamento em Guantanamo Bay.

Tanto Obama quanto McCain declararam-se contra a tortura e prometem fechar Guantanamo Bay. Na prática, no entanto, MacCain votou, em Março, contra uma lei que proibiria o uso de “waterboarding” e outras técnicas de interrogação.

GENOCÍDIO EM DARFUR
A crise na provincial do Sudão teve início em 2003 quando grupos rebeldes iniciaram ataques a alvos do governo, porque a região estaria sendo negligenciada. O governo revidou com uma campanha que já matou centenas de milhares com bombardeios aéreos à área e o suporte a milícias árabes conhecidas como janjaweed, que promovem ataques por terra às comunidades de Darfur. Em Setembro de 2004, os Estados Unidos classificaram como genocídio os eventos em Darfur. Isso significa que a comunidade internacional pode agir contra o país, inclusive com força militar. Mas apesar da retórica, os EUA têm falhado em garantir o fim do genocídio. O país segue sendo o maior aliado e parceiro comercial da China, que fornece armas para o governo do Sudão e tem barrados qualquer tentativa de ação militar no país com seu poder de veto no Conselho de Segurança.

Obama – Prometeu liderar as discussões pelo fim do genocídio, defendeu uma “ação efetiva” da NATO, Conselho de Segurança e União Africana, e disse que os EUA devem intensificar a pressão sobre a China e estarem preparados para impor sanções contra o Sudão.

McCain – Prometeu assumir uma posição de liderança contra o genocídio e “considerar o uso de todos os elementos de poder”dos EUA para acabar com as mortes em Darfur.

CORTE INTERNACIONAL
Criada no fim do século 20, é a primeira Corte mundial permanente e independente para investigar e condenar indivíduos acusados de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Presidente Bill Clinton assinou o Tratado de Roma, que criou a Corte, mas Bush voltou atrás – com sua decisão de invadir o Iraque ilegalmente, ele próprio corria o risco, embora absolutamente improvável, de ser levado à Corte.

Obama – Declarou que seria “prematuro” comprometer-se com o tratado porque a Corte ainda é nova e, embora mereça suporte, ainda não é clara sua forma de funcionamento. Uma antiga consultora de Obama em relações internacionais, Samantha Power disse em março, em entrevista ao The Irish Times, que os Estados Unidos precisam, antes de assinar o tratado, fechar Guantánamo e sair do Iraque.

McCain – Defendeu o ingresso dos EUA à Corte.

Fonte: As posições dos candidatos foram dadas em resposta a um questionário da organização não-governamental Citizens for Global Solutions e publicadas na Foreign Policy In Focus.