Pequeno grande mundo

Pequeno grande mundo

adrianacarranca

21 Junho 2007 | 11h20

Turma da LSE 2004/2005

A idéia desse blog surgiu ainda em 2004, numa sala de aula moderna e envidraçada da Universidade de Londres, com vista para o Aldwich Circle, onde fica o suntuoso edifício Bush House que, desde 1940, abriga um dos mais ambiciosos projetos de mídia: o serviço mundial da estatal britânica BBC, com notícias transmitidas em tempo real em 33 idiomas. Dentro da sala de aula, naquele 4 de outubro friorento e nebuloso, primeiro dia em que se reunia a turma de mestrado em políticas sociais para países em desenvolvimento, aquele mundo que eu só conhecia à distância, através do noticiário internacional, se materializava na história de vida de cada um ali presente.

Éramos 55 estudantes de 28 países – Japão, China, Indonésia, Vietnã, Índia, Bangladesh, Paquistão, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia, Quênia, Uganda, Turquia, Turkmenistão, Azerbaijão, Lituânia, Inglaterra, Suíça, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Bermuda, República Dominicana, Jamaica, México, Chile, Colômbia e Peru, além do Brasil.

Naqueles tempos, eu comecei a sofrer de uma imensa ansiedade. Queria contar para os amigos, ou para quem quisesse ouvir, as histórias que me eram relatadas por aquelas pessoas, de países e com realidades tão distantes do Brasil. Pelo curso que estudávamos, aquela turma reunia exclusivamente pessoas interessadas em trabalhar com a defesa dos direitos humanos e o desenvolvimento global sobre bases mais justas e igualitárias, o que tornava as discussões em sala de aula, no café da esquina, nos pubs lendários ou em reuniões caseiras ainda mais interessantes.

Decidi aproveitar o tempo para absorver o máximo possível de conhecimento, não apenas dos livros, mas, principalmente, da relação com aquelas pessoas. Reuni muitas histórias e experiências gratificantes, algumas das quais me faço valer agora para escrever esse blog.

No curso do tempo, desde aquele primeiro dia em sala de aula, tive a oportunidade de conhecer mais um tanto de gente tão antenada quanto engajada às principais questões do mundo, como os três jornalistas Amitabh Revi, da Índia, Farhad Peikar, do Afeganistão, e Godwin Nanna, da Nigéria, que me acompanharam em uma deliciosa aventura na cidade mais dinâmica do mundo, Nova York, entre setembro e novembro de 2006. Fomos agraciados com uma bolsa-trabalho da Associação de Correspondentes da Organização das Nações Unidas (ONU) para fazer a cobertura da 61.ª Assembléia-Geral da ONU.

Foi um privilégio acompanhar a cobertura ao lado deles e de jornalistas como Edith Lederer, correspondente de guerra da agência de notícias Associated Press que, em 1979, cobriu a invasão soviética no Afeganistão disfarçada como vendedora de tapetes, ou Warren Hoge, repórter do New York Times na ONU, com passagens pelo Brasil graças ao trabalho como correspondente e ao casamento com uma brasileira.

Alguns leitores podem se perguntar: mas o que tudo isso tem a ver comigo aqui no Brasil? Penso que muito. Na convivência com essas pessoas, aprendi que a desigualdade que impõe a miséria a milhares de brasileiros é a mesma que faz aumentar o abismo educacional entre pobres e ricos na Índia, alimenta a violência na Nigéria e nutre o terrorismo no Afeganistão. E que, quando se trata dos sentimentos e necessidades humanas mais primitivas, somos todos, independentemente da religião, costume ou posição política, absolutamente iguais. Portanto, temos, sim, muito a ver.

Também gostaria de dividir histórias dos bons samaritanos brasileiros, gente de toda cor e profissão, de toda a classe e todo credo que faz coisas maravilhosas por este País. Só não os nomeio porque, contando apenas aqueles de minha limitada relação, já são muitos. Há ainda a grande maioria que desconheço, mas cujo trabalho e caráter pretendo conhecer para rechear esse espaço com suas idéias e ações. São tantas e tão boas que me fazem questionar, por que, afinal, o Brasil emperra, mesmo tendo toda essa riqueza humana?

Já sei, já sei. Se quiser fazer com que este blog seja lido, terei de aprender a escrever textos mais curtos, adequados ao veículo Internet. É a lição número um desta blogueira de primeira viagem. Prometo esforçar-me para melhorar.

Bem vindos ao BlogdaCarranca!

Um abraço cibernético,
Adriana