Tragédia anunciada?

adrianacarranca

18 Julho 2007 | 21h18

Há duas coisas que se aprende em uma cobertura sobre acidentes aéreos. A primeira, é que qualquer conclusão antecipada ao fim das investigações é precipitada. A segunda, dizem os especialistas, é que não existe uma só causa quando se trata de uma tragédia como a que ocorreu ontem com o vôo 3054 da TAM, matando, pelo menos, 181 pessoas. Uma combinação de fatores pode ter provocado o problema no pouso e outra impediu que o acidente fosse evitado. Sabe-se, até agora, que a aeronave chegou a tocar o solo, saiu da pista e explodiu ao bater contra o prédio da TAM Express após cruzar a Avenida Washington Luís. Os motivos permanecem incertos e não cabe aqui especular.

Mas uma coisa não me sai da cabeça desde o acidente: quando se trata de perigo para a vida humana, me parece razoável que todos os riscos possíveis devam ser minimizados. Vamos aos números: mais de 50% dos acidentes aéreos acontecem no momento em que a aeronave está em processo de pouso, segundo dados da Safety Flight Foundation, organização internacional de segurança de vôos. Os riscos aumentam muitíssimo na existência de quatro condições: 1) pista curta; 2) ausência de área de escape para que o piloto possa realizar as manobras necessárias em caso de pouso forçado, como alertou a Associação Internacional de Pilotos, em nota divulgada após o acidente; 3) asfalto “contaminado”, leia-se, com água, gelo ou neve, responsáveis por mais de 60% dos acidentes em que a aeronave sai da pista; 4) ausência de sistema de drenagem, como ranhuras (grooving) que ajudam a eliminar a água da pista. O Aeroporto de Congonhas reúne todas estas condições de risco juntas nos dias de chuva, não raros em São Paulo. Fica difícil não falar em tragédia anunciada.