Um presente para São Paulo

adrianacarranca

26 de janeiro de 2008 | 12h25

São Paulo comemorou 454 anos com muitos problemas, grandes desafios e uma boa notícia. E ela vem da sociedade civil organizada, o que já é, em si, um bom sinal de amadurecimento da democracia, sendo um de seus principais instrumentos a participação ativa da sociedade na solução dos problemas da comunidade. Lançado ontem, o Observatório Cidadão reúne 130 indicadores econômicos e sociais e, mais importante do que isso, aplicados aos 31 distritos, o que permite apontar onde está o problema. E, com isso, cobrar o poder público.

Dados do Observatório mostram, por exemplo, que a taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos é 17 vezes maior na área da subprefeitura de Casa Verde/Cachoeirinha, onde é de 175 assassinatos por 100 mil habitantes – considerado epidêmico pela Organização Mundial de Saúde – do que na região de Vila Mariana, que tem índice de 10 mortes por 100 mil habitantes, dentro da média mundial. Ainda em comparação com Vila Mariana, o bairro de Parelheiros, no extremo sul da cidade, tem cinco vezes mais crimes fatais. Parelheiros, Campo Limpo, Capela do Socorro, Cidade Ademar e M’Boi Mirim têm o dobro do desemprego do que a Sé, no centro. Perus, Parelheiros e Cidade Tiradentes não têm um leito hospitalar, enquanto na Sé são 18 leitos por mil habitantes.

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Conhecer o tamanho e a geografia do problema é um primeiro passo para resolvê-lo. Foi quando lançado o programa de georeferenciamento (Infocrim), em 1999, possibilitando mapear os locais com maior incidência de crimes, por tipo de ocorrência, que a polícia paulista começou a conseguir bons resultados no combate à violência – é um dos fatores apontados para explicar, por exemplo, a redução de 67% no número de homicídios em São Paulo desde então.

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O Movimento Nossa São Paulo, criador do Observatório Cidadão, congrega 395 organizações e tem o apoio de 32 grandes empresas.

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