Um sopro de esperança para a China

Um sopro de esperança para a China

adrianacarranca

23 de maio de 2008 | 17h30

Foto: EFE/Oliver Weiken

Em sua última coluna no New York Times, Nicholas Kristof enxerga um sopro de esperança para a China, devastada pelo terremoto de Sichuan, que matou 80 mil pessoas, feriu 300 mil e deixou outros 5 milhões desabrigados. Kristof argumenta que a reação do governo chinês à tragédia sinaliza uma, ainda que pequena, “evolução do regime autoritário para um modelo de menor controle do Estado”, ainda longe de uma democracia, mas que tem se mostrado “mais sensível à opinião pública”.

Kristof conta que, imediatamente após o terremoto, o Departamento de Propaganda do governo tentou proibir jornalistas chineses de viajar às áreas afetadas, mas eles simplesmente ignoraram a determinação, que acabou sendo banida no dia seguinte. Diante da presença massiva da imprensa internacional, o governo passou a tentar ‘fazer bonito’ diante das câmeras. O Primeiro Ministro, Wen Jiabai, voou imediatamente para o local do desastre e passou a acompanhar as operações de resgate, diante das TVs, num claro sinal da importância que a opinião pública mundial ganhou em uma China fechada – e pouco preocupada com a sua imagem além das muralhas – até muito pouco tempo atrás.

Foto: Reuters/Nir Elias

Os jornalistas chineses, por sua vez, mostraram-se menos temerosos. Notícias sobre o terremoto – e críticas ao governo chinês – aparecem nos mais de 75 milhões de blogs da China e, hoje, os protestos são mais comuns, segundo Kristof, que junto com a mulher, Sheryl WuDunn, também repórter do Times, ganhou um prêmio Pulitzer pela cobertura do massacre contra estudantes que pediam democracia na Praça da Paz Celestial, em 1989.

“Ainda é mais provável que dissidentes do regime vão parar na cadeia do que nos jornais, mas o terremoto traz alguma esperança aos otimistas”, escreveu Kristof. Ele conta ter ficado impressionado com a população que se antecipou ao governo e foi para as zonas mais afetadas ajudar a remover os entulhos das ruas, além de levantar U$ 500 milhões em doações.

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O casal Kristof e WuDunn viaja pelo mundo com os três filhos, escrevendo livros e reportagens para o Times. Já viveram nos cinco continentes e conhecem todas as províncias da China. São autores de China Wakes: The Struggle for the Soul of a Rising Power e Thunder from the East: Portrait of a Rising Asia, sem tradução para o português.

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