Céticos do clima na Geografia da USP

Afra Balazina

19 Outubro 2011 | 20h30

O departamento de climatologia da Geografia da USP concentra hoje céticos do clima. Eu conversei com um deles,  Ricardo Felício, para fazer uma matéria sobre o projeto de lei que obriga os paulistanos a pintar os telhados de branco. E aproveitei para perguntar sobre a polêmica (vejam abaixo).

Conversei com professores e alunos da USP que estão preocupados, pois acham que há um “doutrinamento” dos estudantes da Geografia para se tornarem céticos também. Enquanto isso, o País já tem uma meta de cortar gases-estufa, o Estados de São Paulo e Rio de Janeiro idem como forma de combater o aquecimento. E o Painel do Clima da ONU (IPCC) reúne cientistas do mundo inteiro que acreditam que a ação humana é responsável pelo aquecimento global. Outros cientistas renomados que eu procurei não quiseram falar, acham que nem vale a pena perder tempo com esses céticos.  

Já o secretário nacional de Mudanças Climáticas, Eduardo Assad, diz que felizmente o ceticismo sobre as mudanças climáticas não é a posição da USP como um todo. E ele cita professores reconhecidos como o físico Paulo Artaxo, Ricardo Abramovay (professor do departamento de Economia da FEA/USP) e José Goldemberg, que já foi reitor da universidade e secretário estadual de Meio Ambiente, para comprovar esse fato. Para Assad, esses céticos da USP têm pouca credibilidade e têm produtividade baixa, quase não publicam em revistas científicas. O secretário é especialista em agroclimatologia e foi um dos coordenadores do maior estudo feito no País sobre o impacto do aquecimento global para a agricultura.  

Vejam aqui a opinião do professor Ricardo Felício sobre as mudanças climáticas.

1- Tanto o governo federal quanto o governo estadual de São Paulo adotaram em 2009 metas para cortar as emissões de gases-estufa. O Rio também definiu, recentemente, metas para os diferentes setores da economia. Como avalia essas medidas?

Estas medidas são completamente inócuas para o clima da Terra, pois os chamados gases-estufa, da forma que falam, não existem! Quem dá essa inércia térmica ao planeta é a presença da atmosfera, do vapor d’água e das nuvens. É um verdadeiro engodo pseudocientífico ficar realizando esta estúpida contabilização de carbono. Note que tudo se baseia em realizar inventários de gases. Significa que eles controlam o clima? Isto é um verdadeiro absurdo! Não há física por trás destas afirmações. Quem controla o clima é o Sol, além deste, os oceanos, vulcões, nuvens, criosfera. Os gases não o fazem. Não o fizeram no passado, não o fazem agora e nunca o farão. Não existe um processo físico em que a entrada de energia seja menor que a saída, em outras palavras, que os gases “gerem” um aquecimento “criando” energia. Assim sendo, todos estes políticos, de todas as esferas de governo trabalham para uma agenda mundial e não para defender os interesses do povo brasileiro. Pensam que, contribuindo para uma arrecadação mundial de recursos baseada na falácia do carbono, participarão também do recorte da fatia do bolo. Faremos questão de mostrar para a História do nosso país quem foram os responsáveis pela nossa permanência em uma situação de subdesenvolvimento. Sim, são estes os desdobramentos das medidas que tais governos aqui no Brasil nos farão, em todas as esferas. Desta forma, nosso país se ajoelha, através destes governantes, ao governo mundial, enquanto Japão, Rússia, Canadá, entre outros, dizem adeus a esta patifaria das “mudanças climáticas” e do “aquecimento global”. O mais interessante ainda é verificar que enquanto os países não tomam nenhum tipo de atitude, internamente, estados e municípios o fazem voluntariamente, atribuindo ao cidadão o fardo por um problema inexistente. Um absurdo!

2 – Quantos professores da área de climatalogia no Departamento de Geografia da USP podem ser chamados hoje de céticos do clima, ou não acreditam que o homem seja culpado pelas mudanças climáticas?

Para começar, o termo cético é usado de uma forma bem pejorativa. Todo cientista que se preza deve ser cético ao que lhe apresentam. Assim sendo, quando tentamos realizar debates e os chamados “aquecimentistas” não aparecem, algo soa estranho. Se eles têm tanta certeza do que afirmam e se podem defender tão bem as suas hipóteses, então por que não colocam suas argumentações em debate com os chamados “céticos”? Simplesmente porque não tem sustentação ou porque suas hipóteses não podem ser comprovadas. Assim sendo, omitem-se de participar dos debates ou simplesmente realizam os seus debates entre eles mesmos, os chamados “enlatados científicos” que dão maior visibilidade. Note que quando um destes se coloca numa posição como esta, de não querer debater, cria-se um dogma, ou seja, parte-se para a religião. Desta forma, é exatamente o que a nossa sociedade técnico-científica-informacional hoje está passando: pela igreja da sustentabilidade. E assim como a Igreja da Idade Média, a igreja da sustentabilidade não admite contradições. Portanto, embora tenhamos cinco professores de climatologia no departamento, apenas três são declaradamente “céticos”.

3- Como é ser uma minoria no meio acadêmico, já que a maior parte dos professores em universidades públicas hoje no País leva em conta – e em alguns casos colabora – com o IPCC?

De certa forma, é a tarefa mais penosa que um docente poderia querer para a sua carreira. Tentar defender os princípios científicos, a ética, o seu país, as pessoas que sofrerão com toda esta patifaria do terrorismo climático, inventado por um órgão auto-nomeado da ONU, o qual só visa manter o poder econômico e a hegemonia de um grupo minoritário de países altamente desenvolvidos, em detrimento dos que tentam se desenvolver (incluindo o Brasil, a eterna colônia de recursos). Contudo, também é bom saber que na verdade pertenço a uma minoria que tem a coragem de se manifestar contra este mito religioso ridículo que é o “aquecimento global” e as “mudanças climáticas” porque aqui dentro da Universidade existem muito mais cientistas que são céticos, só que lhes faltam a coragem em poder se pronunciar, pois sabem que se o fizerem, perderão muito do seu prestígio e acabarão com as suas carreiras, além de perderem financiamentos etc. Não é uma verdadeira Idade Média e Inquisição?! Assim, se mais cientistas se pronunciassem, como é o caso do Petition Projetc, onde há a manifestação de mais de 31 mil cientistas só nos EUA que são céticos, o mito perderia o seu poder aqui também. Terminando, quase todas as universidades públicas brasileiras possuem um único grupo cético de Climatologia que trabalha de maneira autônoma e sem uso de recursos, o Grupo de Pesquisa e divulgação científica FakeClimate, atrelado ao Grupo de Pesquisa ClimaGeo.

***Detalhe no fim do e-mail do professor: “Se você é brasileiro, diga: fora com o Greenpeace!”

A reportagem sobre o projeto de lei dos telhados brancos vocês podem conferir aqui:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sp-debate-adocao-de-telhados-brancos-,783069,0.htm