Christiana Figueres e a distorção de realidade

Afra Balazina

06 de dezembro de 2011 | 15h29

Christiana Figueres, a chefe de clima da ONU, tem uma personalidade parecida com a do Steve Jobs.

Eu explico. Na biografia autorizada do Steve Jobs vários amigos e pessoas que trabalharam com Steve Jobs contam que ele costumava mentir, ou distorcer a realidade, para conseguir o que queria. Isso significava, por exemplo, colocar um prazo muito curto para a execução de um projeto e convencer os engenheiros de que sim, eles eram capazes de entregar o trabalho dentro do prazo estipulado. Também fazia isso com o design dos produtos, enfim, fazia o impossível parecer totalmente possível, até que de fato o que esperava acontecia. Costumava dar certo. Motivava as pessoas e elas correspondiam.

Christiana Figueres tenta fazer a mesma coisa aqui em Durban. Disse que uma segunda fase do Protocolo de Kyoto não é mais uma questão de “se”, mas de “como”. Ela quer que todos acreditem que a negociação vai bem e que é possível ter um bom resultado ao fim da COP-17. Com isso, espera que algo positivo saia daqui.

Mas a realidade que vemos e que apuramos está longe de ser fácil como ele coloca. Os europeus estão bastante irritados com a forma como os chineses colocam suas condições para assinar um acordo com força de lei.

Para não falar dos EUA, que só aceita um acordo se a China concordar em ter as mesmas obrigações e se não tiver de dar dinheiro nem fazer transferência de tecnologia para os chineses reduzirem as emissões. Claro, os americanos não querem ajudar a China a se tornar uma concorrência melhor e mais limpa.

Por tudo isso, não sei em que realidade ela está, mas não parece ser a mesma que a minha… De qualquer maneira, espero que sua estratégia dê certo!

 (Divulgação)