COP das mulheres

Afra Balazina

14 de dezembro de 2010 | 22h19

A chanceler mexicana Patricia Espinosa (Susan Walsh/AP)

As mulheres tiveram um papel fundamental nesta COP.

Para começar, a presidente foi a ministra das Relações Exteriores do México, Patricia Espinosa. Durona, mas paciente, ela não alterava o tom de voz nem demonstrava muita emoção. Primou pela transparência em todo o processo, ouvia a todos e, dessa forma, conseguiu agradar aos países. Foi extremamente aplaudida na última noite, numa delas as palmas duraram quase cinco minutos e todos ficaram de pé. Quase todos rasgaram elogios a ela, e Jairam Ramesh, ministro do Meio Ambiente indiano, comparou-a a uma deusa…

Outra mulher relevante na COP foi Margareth Mukahanana-Sangarwe, presidente do LCA – trilho que discutia as ações de longo prazo e envolve os países que estão fora de Kyoto, como as nações em desenvolvimento e os Estados Unidos. Ela conseguiu montar um documento que, apesar de ser considerado fraco, foi visto como fundamental para avançar na questão e tentar no futuro chegar a um acordo legalmente vinculante (com valor jurídico). Entre as decisões, está a de criar o Fundo Verde, que até 2020 terá US$ 100 bilhões ao ano para o combate ao aquecimento e para a adaptação dos países às mudanças inevitáveis que virão com o aumento da temperatura.

Outro papel feminino importante foi da secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres. Ela optou por se manter na sombra de Espinosa, falando pouco com a imprensa e sendo discreta. Foi uma estratégia que deu certo e uma grande mudança em relação ao secretário anterior, Yvo de Boer, que era mais carismático e mais parecia um pop star, de tanto que falava com jornalistas. Ele sempre parecia ter mais poder que os presidentes das COPs…
Aliás, Yvo estava em Cancún, mas passou incógnito a maior parte do tempo – o que ouvi é que ele se procurou se comportar como diplomata que é, e não como um político, para não atrapalhar o processo, não trazer confusão nem ofuscar Christiana. A única vez que o encontrei foi no restaurante Barracudas, no Moon Palace, numa noite em que também estava o poderoso Todd Stern, chefe da delegação americana. Ele parecia bem mais saudável do que no primeiro semestre deste ano, quando deixou o cargo para ser consultor da KPMG.

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