“Dinamarca quer sucesso a qualquer preço”, diz G77

Afra Balazina

09 de dezembro de 2009 | 20h31

O vazamento de um rascunho para o acordo do clima feito pela Dinamarca ainda provoca reações fortes em Copenhague. Ontem, o sudanês Lumumba Di-Aping, presidente do G77 + China (grupo de 140 países que inclui o Brasil), disse que a manobra do país sede da conferência é “uma total violação da transparência”. Ele avaliou que o documento é totalmente “desbalanceado” ao privilegiar os países industrializados.
“Os dinamarqueses estão desesperados pelo sucesso da reunião a qualquer preço. Mas um acordo justo deve levar em conta os interesses de todos os que negociam. Tem de ficar no meio do caminho”, avaliou.
Ele ressaltou  que o papel da presidência da COP 15 é ajudar e facilitar o entendimento entre “todas as partes” envolvidas e que a proposta para o acordo não poderá surgir de um só país ou grupo. “Temos de levar a negociação até o último minuto. E esperamos que o bom senso prevalecerá.”
Yvo de Boer, secretário executivo da ONU, confirmou que muitos países ficaram nervosos com o teor do texto formulado pela Dinamarca, por o considerarem “desiquilibrado”. No entanto, afirmou que isso não deve ameaçar as negociações.  “Mesmo quem não gostou do texto diz que a reunião é muito importante para ser abandonada”, disse.
Anders Turesson, chefe das negociações pela Suécia e representante da União Europeia, não quis comentar o conteúdo do texto dinamarquês, mas espera que o vazamento não atrapalhe o andamento da negociação.  

APELO
O resultado final de Copenhague, segundo Di-Aping, deve incluir uma redução radical das emissões de CO2 das nações desenvolvidas. E, para isso, ele afirma que será fundamental a participação e o total engajamento dos Estados Unidos.  “Só um acordo justo salvará a África e as ilhas”, disse, complementando que os americanos deveriam integrar o Protocolo de Kyoto (que foi criado em 1997, mas não foi ratificado pelos Estados Unidos).

Por Afra Balazina e Andrei Netto

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