Não há heroísmo tardio que justifique a postura de Obama

Estadão

18 de dezembro de 2009 | 08h28

Conversava há pouco com uma jornalista norte-americana que garante ter contatos na delegação de negociadores dos Estados Unidos. Teria dito um deles: “Prepare-se: Obama vem com novas propostas para salvar a negociação”.

Esse gênero de rumor circula em Copenhague ao longo de toda a semana. Até a seção francesa da WWF comentou boatos, na quarta-feira, de que Obama anunciaria, em sua chegada à Dinamarca, a mudança do ano de referência das metas de seu país. Ou seja, em lugar de 17% de cortes nas emissões de CO2 em relação a 2005 – o que representa ridículos 4% sobre 1990, o ano-base para todos os outros países –, os Estados Unidos adotariam algo mais arrojado: 17% em relação a 1990.

Uma eventual atitude como essa – que não condiz com o argumento empregado pela Casa Branca durante toda a negociação – teria um poder medicinal sobre a COP-15. Mas, sejamos francos: nada absolve a postura de Barack Obama na condução da questão climática. Por mais que se esforce em provar seu progressismo em relação à Era W. Bush, os números não mentem: até aqui, nada mudou.

E que não se diga que não houve tempo: 25% do mandato do Prêmio Nobel da Paz 2009 já expirou. Trata-se, na realidade, de uma questão de prioridade política. E o clima não é a prioridade de Obama.

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