Natureza implacável

Afra Balazina

15 de janeiro de 2011 | 22h19

Destruição em Caleme, Teresópolis (ANTONIO SCORZA/AFP)

Paulo Barreto, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), escreveu no twitter sobre a tragédia no Rio de Janeiro e disse que “enquanto as leis ambientais ficam no papel, as leis da natureza são implacáveis”. 

Nos últimos anos, já vimos deslizamentos e enchentes fazerem vítimas em Santa Catarina, Angra dos Reis e Ilha Grande, São Luiz do Paraitinga e Cunha. Agora, a região serrana do Rio.

Há inúmeros fatores que contribuíram para esses desastres naturais. Mas um aspecto importante é o fato de muitas áreas de encostas terem sido desmatadas no passado. Outras regiões bastante íngremes e topos de morro, que deveriam ser mantidas permanentemente com vegetação, viraram plantações ou locais de moradia. Os leitos dos rios também foram ocupados.

Mesmo com os estragos e mortes desses desastres naturais, ainda se tenta mudar as leis (muitas vezes não obedecidas) para tornar menos rígida a ocupação do solo ou o uso de topos de morro e margens de rios. Santa Catarina, por exemplo, diminuiu as matas ciliares ao aprovar um novo Código Florestal estadual em 2009 – a legislação reduz a faixa de preservação ao longo de rios de 30 metros, como determina lei federal, para até 5 metros.

E os ruralistas querem aprovar um novo Código Florestal para o País, o que também é muito preocupante. Espero que os parlamentares se lembrem de tudo o que vem acontecendo antes de decidir a questão. E que a presidenta Dilma também se sensibilize com o assunto depois de ter ido ao Rio e ver os estragos.

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