Ônibus flex

Afra Balazina

10 de maio de 2011 | 11h41

(Divulgação)

Já é mais do que comum no Brasil a existência de veículos com motores flex que podem usar gasolina ou etanol. Mas, agora, começa a ser testado no Rio de Janeiro um ônibus com motor flex que utiliza diesel e gás natural.
Os dois combustíveis, diesel e gás, vêm de uma fonte fóssil, o petróleo. Porém, há um ganho ambiental quando se usa o gás natural. Na verdade, é necessário ainda usar pelo menos 15% de diesel e o restante pode ser completado com gás.
A empresa Bosch, que fabrica as peças para o motor flex, informa que os testes já realizados indicam que o uso da nova tecnologia promove uma redução de 80% nos particulados (mistura de poeira e fumaça que prejudica a saúde da população). O corte de emissões de dióxido de carbono, que provocam as mudanças climáticas, chega a cerca de 20%. E também há redução da poluição por óxido de nitrogênio – este poluente, sob a ação de luz solar, transforma-se em dióxido de enxofre e tem papel importante na formação do ozônio, que atualmente é o maior vilão da qualidade do ar nas grandes cidades brasileiras.
Outra vantagem é econômica, pois o GNV em geral é mais barato que o diesel. Em relação à eficiência do consumo do combustível, notou-se que há uma leve melhora quando se coloca gás natural se comparado ao uso de diesel – 1 litro de diesel pode ser substituído por 0,9 metros cúbicos de gás natural.
De acordo com Mario Massagardi, diretor na Bosch, se o ônibus utilizasse apenas gás natural, o veículo perderia força.

Ações. “A nossa frota consome 53 milhões de diesel por mês. Nós teremos no próximo ano a conferência Rio + 20 e estamos numa busca incessante por alternativas sustentáveis para mover a nossa frota. Esse ônibus flex é um dos caminhos possíveis”, afirma Julio Lopes, secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro.
Ele ressalta que existe o compromisso de realizar as “Olimpíadas Verdes” em 2016. “Ainda que o gás tenha origem fóssil também, tem outro nível de contaminação”, afirma.
De acordo com Lopes, o uso do gás é bastante vantajoso para o Estado do Rio. “Nós temos muito gás e teremos ainda muito mais quando continuarem as explorações do Pré-sal. Eu espero que a Petrobrás faça uma regulação do preço do gás que nos favoreça. Hoje, o preço dele é mais barato em São Paulo do que no Rio, incompreensivelmente”, afirma o secretário.

PARA ENTENDER: DIESEL NO BRASIL TEM ALTO TEOR DE ENXOFRE
O diesel usado do Brasil ainda é muito poluente se comparado a outros países. Até 2008, as regiões metropolitanas tinham um diesel com 500 ppm de enxofre e, no interior, usava-se diesel com 2 mil ppm. Uma norma do Conama obrigava que no Brasil todo fosse oferecido o diesel 50 ppm em 2009, o que não ocorreu. Por meio de um acordo entre governos, Ministério Público, montadoras e Petrobrás, ficou decidido que o diesel mais limpo seria introduzido gradualmente.
Na Europa e no Japão, por exemplo, já se usa um diesel com 10 partes por milhão (ppm) de enxofre.
Segundo a Petrobrás, a partir de janeiro de 2012 o diesel com 50 ppm de enxofre será distribuído em postos selecionados de todo o País – para uso nos veículos novos. E, em 2013, passará a ser fornecido o diesel com 10 ppm. Veículos produzidos até 2011 continuarão a ser abastecidos com o diesel mais poluente.

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