Os contras do diesel

Afra Balazina

11 de fevereiro de 2011 | 19h48

O diesel há muito tempo é alvo de críticas no País pela poluição que causa  –  em muitos caminhões é visível a fumaça preta saindo dos escapamentos. Além disso, o combustível oferecido no Brasil é muito pior que o da Europa, dos EUA e do Japão, por exemplo, pois contém uma alta quantidade de enxofre.

Mas um dado do 1º inventário nacional do transporte rodoviário traz outro ponto extremamente negativo sobre esse produto do petróleo. O diesel já responde por 53% das emissões de dióxido de carbono (CO2) do transporte rodoviário. A gasolina está em segundo lugar, com 26%.

Esta situação é fruto da priorização do uso de rodovias para transportar cargas no País. Usamos muito pouco as ferrovias, se compararmos com países com grande extensão como o nosso (EUA, Canadá, Rússia e Austrália levam muito mais mercadorias por trilhos). 

A saída para alterar a situação passa por ampliar as ferrovias no País, renovar a frota (os veículos velhos poluem mais), fazer inspeção e manutenção da frota e usar mais biodiesel.

No caso da gasolina, também derivada do petróleo, conseguimos um bom substituto no Brasil: o etanol. Por isso, a participação da gasolina nas emissões vêm caindo e deve ser ainda menor em 2020. Apesar de o etanol também emitir CO2, a cana-de-açúcar absorve o gás-estufa enquanto cresce, compensando parte significativa desse lançamento.

Segundo a Petrobrás, os motores do ciclo diesel têm maior eficiência do que os motores ciclo otto (que usam gasolina e etanol). Portanto, emitam menos CO2. Assim, a “maior emissão do diesel em 2009 é decorrente da matriz de transporte que está centralizada no uso rodoviário, em que o diesel é o combustível de maior demanda”, diz a empresa.

O inventário completo pode ser visto no site do Ministério do Meio Ambiente:

A reportagem sobre o assunto pode ser vista aqui: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110211/not_imp678106,0.php

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O enxofre contido no diesel é bastante ruim para a chamada “poluição local”. Mas sua presença também atrapalha no controle da “poluição global” ou das mudanças climáticas. Quem explica é o engenheiro químico David Tsai, do Instituto de Energia e Meio Ambiente:

“A influência do enxofre se dá principalmente nas emissões de material particulado (MP), um poluente local. A grande vantagem da redução do teor de enxofre no diesel é permitir a aplicação de tecnologias avançadas de controle de emissões nos veículos, ou seja, o diesel limpo é necessário para que estas tecnologias possam ser utilizadas sem contaminação e perda de eficácia. A próxima fase do Proconve (programa de controle da poluição do ar) para veículos pesados (P7), de início previsto para janeiro de 2012, utilizará esta combinação de combustível com baixo teor de enxofre e tecnologias avançadas de controle de emissão”.

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