Ressaca

Afra Balazina

19 de dezembro de 2009 | 18h29

A COP 15 acabou. Já estou a caminho do Brasil e levo comigo uma sensação muito grande de frustração pelo resultado da conferência.

Apesar de todas as indicações contrárias, eu tinha esperanças de que era possível chegar a um acordo melhor. Ao chegar neste sábado ao aeroporto de Copenhague, comecei a ver novamente os inúmeros outdoors e placas em que o nome da cidade foi trocado por Hopenhagen. E imaginei quantas pessoas devem estar sentindo o mesmo que eu neste momento.

Os Estados Unidos podem não ser os únicos culpados pelo fracasso, mas posso dizer que me decepcionei muito com o presidente Barack Obama. Havia a expectativa (de vários delegados e não somente minha) de que ele aumentaria as metas do país para o corte dos gases que provocam o aquecimento global. Ou que ao menos compensaria a meta fraca americana colocando bastante dinheiro no fundo para adaptação – destinado principalmente aos países mais vulneráveis e pobres para que consigam se preparar para as mudanças inevitáveis que vão acontecer com o aumento da temperatura. Não aconteceu nem uma coisa nem outra.

E nem posso dizer que não havia sido avisada. Na quinta-feira, conversei com um dos principais negociadores dos Estados Unidos. Ele falou comigo com a condição de que eu manteria o anonimato. Perguntei a ele se Obama melhoraria suas propostas – integrantes de ONGs, como o WWWF, especulavam isso em seus briefings para a imprensa.

Mas ele me garantiu que os Estados Unidos não aumentariam suas metas (não falou sobre os recursos financeiros, porém). Eu custei a acreditar. Mas agora a ficha caiu…

É como o meu colega urso polar me falou no sábado passado, enquanto estávamos na grande marcha pelo clima (está num post aqui no blog): O discurso de Obama pode ser diferente do de Bush, afinal ele não nega o aquecimento global. Mas, nas ações, os dois não têm sido muito diferentes.

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