Solón ficou solo

Afra Balazina

13 de dezembro de 2010 | 19h17

O embaixador boliviano Pablo Solón

O chefe da delegação da Bolívia, Pablo Solón, foi uma das figuras mais marcantes da COP-16. Sempre do contra. Seus argumentos para não aceitar o acordo eram razoáveis – ele dizia, com razão, que as propostas eram pouco ambiciosas e que permitiriam um aumento de 4ºC da temperatura do planeta.

O problema é que, se não começarmos logo a fazer algo e esperarmos um acordo ideal indefinidamente, será muito difícil depois recuperar o tempo perdido no combate ao aquecimento global.

No início da última noite da COP, a Bolívia teve o apoio de Cuba em suas críticas, e a simpatia da Venezuela. Depois, porém, na última plenária, Solón ficou sozinho. Era o único a se manifestar desfavoravelmente ao documento.

No ano passado, vários países do Alba (grupo que reúne nações da América Latina e Caribe) foram contra o Acordo de Copenhague, e ele acabou virando apenas uma nota de rodapé dentro da Convenção do Clima da ONU. Dessa vez, porém, como só a Bolívia protestou, a presidente da COP-16, Patricia Espinosa, ministra de Relações Exteriores do México, bateu o martelo e aprovou o acordo. Ela disse somente que ia anotar a reclamação da Bolívia.

Eu admito ter ficado feliz ao ver a atuação firme e calma da chanceler mexicana diante dos protestos de Solón. Não queria ver tudo degringolar de novo, ainda mais por culpa de somente um país.
Uma questão que fica é a do consenso dentro dos processos da ONU. Teoricamente, qualquer país pode bloquear uma decisão. Patricia argumentou que “consenso não é unanimidade”, mas a Bolívia com certeza vai entrar com recurso contra a adoção do texto.

Espero que os países trabalhem duro, agora, para que as decisões não fiquem somente no papel.

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