Proposta franco-brasileira foi tema de discussões dos líderes

Estadão

18 de dezembro de 2009 | 08h11

A iniciativa dos presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de convocar uma reunião extraordinária de chefes de Estado e de governo na noite de ontem, após o banquete oferecido por Sua Majestade em Copenhague, teve um ingrediente franco-brasileiro importante: o conteúdo.

Isso porque foram as ideias – mais do que o texto em si – contidas em um documento conjunto, apresentado por França e Brasil, por Sarkozy e Lula, no Palácio do Eliseu, em Paris, no último 14 de novembro, que pautou as discussões. Estavam lá, nesse texto até então menosprezado, ideias como a meta global de 50% de redução das emissões de gases-estufa – e de 80% para países desenvolvidos – em 2050.

(Aliás, segundo os cálculos do autor deste texto, uma fonte fidedigna do Estado, os países em desenvolvimento teriam de arcar com 20% das reduções das emissões no período para que a meta seja cumprida.)

Em sua versão original, jamais publicada, este documento continha ainda a proposta de uma data para que as emissões globais de gases-estufa atinjam seu pico. O dado é essencial para que o objetivo de conter o aquecimento global em 2oC se concretize, mas acabou não entrando na versão final. Havia obstáculos políticos demais.

Sobre o casal França-Brasil: ninguém em Copenhague duvida da capacidade de negociação da diplomacia do Brasil com os mais diferentes grupos de países, ricos ou pobres, na COP-15. Unida à articulação política da França, um dos pilares da União Europeia, a dupla forma uma aliança forte: reúne uma potência desenvolvida, a atual 5a maior economia do mundo, com um gigante emergente, a futura 5a maior economia do mundo. É a espécie de diálogo que a Conferência do Clima vai necessitar nas próximas horas.

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