Thom Yorke, do Radiohead, vira jornalista na COP 15

Afra Balazina

17 de dezembro de 2009 | 21h35

Depois de Arnold Schwarzenegger e Vitor Fasano, foi a vez do ultra cool Thom Yorke, vocalista do Radiohead, aparecer em Copenhague para acompanhar as negociações climáticas. Vestindo uma chamativa calça vermelha e justa e um sobretudo, ele entrou no Bella Center fingindo ser jornalista e usava uma credencial de imprensa. “Vamos ver em quanto tempo vão me descobrir”, brincou. Mas ele não escapou de ser entrevistado no corredor do centro de convenções por quatro jornalistas brasileiros que estão na COP 15.

“Estava bastante envolvido com uma lei que passou no Reino Unido que compromete o país a reduzir 90% das emissões até 2050 e queria ver o que estava acontecendo aqui. Li blogs e não aguentei”, afirmou. Uma de suas preocupações é com o fato de a presença das ONGs ter sido limitada nos dois dias decisivos das negociações – a alegação é que a restrição ocorreu por motivo de segurança, já que inúmeros chefes de Estado passam pelo Bella Center nesses momentos finais.

“É absolutamente ultrajante (colocar as ONGs para fora) pois foram essas pessoas que levaram a questão adiante quando mais ninguém se importava”, disse, sempre em velocidade acelerada. Ele considera que, sem os ativistas da área ambiental, ficará mais fácil fazer uma “lavagem verde” ao anunciar o acordo. “Embora eu não ache que isso não vá acontecer”, afirmou, tentando manter o otimismo.

“A maioria das pessoas acha que nada vai acontecer e está pronta para abrir mão. Eu acho que quanto mais pessoas pensarem assim, pior.”

Ele espera que os líderes mundiais “resolvam ao menos o básico”. Segundo Yorke, a negociação é uma nuvem espessa através da qual nenhuma pessoa normal consegue enxergar. E opina que os negociadores são “homens de meia idade reprimidos fazendo a negociação sob o seu ponto de vista e interesse”.

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