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Família de vítima se sentiu iludida sobre resgate do AF-447

andreinetto

13 de maio de 2011 | 06h29

A controvérsia sobre o resgate dos passageiros e tripulantes do voo AF-447 fez aflorar a insatisfação das famílias de vítimas na França. Algumas famílias se queixam de ter sido iludidas ao receberem a informação de que os corpos haviam sido descobertos no fundo do Atlântico “em bom estado de conservação”, segundo afirmavam as autoridades francesas.

Uma das desiludidas é Corine Soulas, mãe de uma das vítimas e sogra de outra. Comunicada por amigos sobre a descoberta dos corpos – e não pelas autoridades –, ela lamenta a forma precipitada como o assunto foi tratado. “À época, a pessoa que anunciou a descoberta o fez de forma um pouco serena, dizendo que eles estavam identificáveis”, lembra. “Como o nosso cérebro imagina quando se fala em ‘identificável’? O que você imaginaria? Imaginaria algo belo, que possamos recuperar e sepultar. Agora falam em ‘degradado’ e ‘alterado’…”, indigna-se.

Antes favorável ao resgate, Corine agora diz que preferiria que os restos de sua filha seguissem no fundo do mar. “Eu teria preferido que não se falasse n assunto e que os deixassem repousar porque, na minha cabeça, Caroline está dormindo”, explicou.

A descoberta dos corpos junto aos destroços do Airbus A330-200 foi revelada pela ministra do Meio Ambiente e dos Transportes, Nathalie Kouciusko-Morizet, em entrevista à rádio France Info. Então, a executiva não apenas fez referência aos corpos, mas também afirmou que estavam em bom estado.

Agora o assunto é tratado com todo o zelo pelas autoridades francesas. “Nós, do laboratório do qual sou chefe, jamais falamos sobre identificação de corpos unicamente por visual, garantiu François Daoust, diretor do Instituto de Pesquisas Criminais (IRCGN). “Trabalhamos em 38 catástrofes. Nunca vamos nos antecipar e dar tais declarações. A identificação segue um procedimento científico que segue um processo completo, com exames dentários, DNA, entre outros elementos.”

Apesar da exigência reiterada de que os corpos sejam recolhidos, como pede o brasileiro Nelson Faria Marinho, presidente da Associação de Familiares de Vítimas do Voo AF-447, a Justiça da França adverte: o objetivo da expedição continua sendo explicar as causas do acidente. “A missão principal é a recuperação de peças”, reiterou Jean Quintard, procurador-adjunto do Tribunal de Grande Instância de Paris.

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“Sim e não. Esperamos 23 meses até aqui, um prazo muito longo. Estivemos frustrados por muitos meses, e agora esperamos que a investigação tome um novo rumo, que seja mais rápida. Nós temos o hábito de esperar. Vamos esperar ainda alguns meses para saber a verdade.”

Robert Soulas, pai e sogro de vítimas do voo AF-447, quando questionado se está satisfeito com as investigações

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