Hungria adota austeridade para limitar seu déficit a 3,8%
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Hungria adota austeridade para limitar seu déficit a 3,8%

andreinetto

08 de junho de 2010 | 08h01

Programa de rigor visa a corrigir deriva das contas públicas do país; Europa desconfia que alarmismo em Budapeste é estratégica política do novo governo

PHOTO: REUTERS

O novo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban: discurso alarmista / Foto: Reuters

A Hungria também deve anunciar hoje, em Budapeste, a criação de um programa de austeridade para limitar o déficit público do país a 3,8% do PIB neste ano. A expectativa é de que, ao reduzir as despesas do Estado, o governo relance o crescimento e contenha o ritmo de desvalorização do florim, cujo valor caiu 5,5% em 24 horas após as declarações de líderes políticos sobre o “risco de falência” do país.

A confirmação de que a Hungria vai aderir à tendência de austeridade dos governos europeus foi feita ontem pelo ministro da Economia, Gyorgy Matolcsy. Sem apresentar detalhes do plano, o executivo deu pistas: “As economias nas despesas orçamentárias virão da redução da burocracia, que virá com o relançamento dos investimentos e de uma aceleração dos repasses oriundos dos fundos comunitários”.

O compromisso assumido pelo governo é de evitar que a Hungria atravesse uma crise de confiança nos mercados financeiros similar à enfrentada pela Grécia desde o início do ano. Esse risco nasceu na semana passada, quando Lajos Kosa, vice-presidente do Fidesz, partido conservador que dá sustentação ao novo governo, afirmou que as estatísticas macroeconômicas do país poderiam ter sido maquiadas pelo governo anterior, e que o déficit atingiria 7% a 7,5% neste ano. “A situação da Hungria era comparável à da Grécia”, afirmou Kosa, desencadeando uma nova onda de instabilidade nos mercados financeiros.

O alarmismo das autoridades húngaras em relação ao estado das contas do país, entretanto, provoca suspeitas na Europa Ocidental. A desconfiança é de que as declarações tinham como objetivo desviar a atenção da opinião pública húngara para o irrealismo do programa de governo do novo primeiro-ministro, Viktor Orban. Ao denunciar os excessos dos antecessores, o premiê teria liberdade para adiar promessas de campanha e cortar despesas.

As suspeitas são reforçadas pelo estado razoável das finanças públicas do país, que em 2009 chegou a dispensar a primeira parcela do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), contraído após o crash do banco Lehman Brothers, em 2008. Ontem, dirigentes da União Europeia e do FMI minimizaram em público os temores despertados pelo governo húngaro. Questionado sobre o tema, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, afirmou que não há “nenhum elemento particularmente inquietante” na Europa neste momento. “ Em breve, as pessoas voltarão à realidade dos números”, estimou. “A pressão colocada sobre a situação europeia foi provavelmente exagerada.”

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