MOI, PRÉSIDENT
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MOI, PRÉSIDENT

andreinetto

03 Maio 2012 | 09h14

Eleições na França 2012

Em 1974, um jovem candidato a presidente egresso de um pequeno partido de centro-direita marcou os espíritos e conquistou o Palácio do Eliseu. Tratava-se de Valéry Giscard-D’Estaing. Sua vitória sobre o oponente do Partido Socialista (PS), o já experiente em campanhas François Mitterrand, seria a mais apertada da história e aconteceria por 50,81% contra 49,19% dos votos. É claro que seu triunfo só se explicaria por muitas outras razões, mas uma delas – concordam os analistas políticos – havia sido uma frase letal, imbatível, que marcaria os espíritos: “Você não tem o monopólio do coração, monsieur Mitterrand”, sentença com a qual ele agregaria paixão ao seu discurso, roubando parte do apelo do socialista, que vendia a esperança de um mundo melhor.

Em 1988, Mitterrand já presidente daria o troco respondendo a uma provocação feita pelo então primeiro-ministro e candidato da direita – sim, o duelo entre um presidente e um primeiro-ministro é possível. Jacques Chirrac, que seria derrotado por 54,02% contra 45,98%, abrira sua participação afirmando: “Aqui senhor não é o presidente, e eu não sou o primeiro-ministro. Nós estamos em igualdade”. Mitterrand respondeu: “O senhor tem toda a razão, senhor primeiro-ministro.”

Conversei com diferentes grupos de pessoas, franceses ou não, que assistiram como eu o debate entre os dois candidatos ao Palácio do Eliseu na noite de quarta-feira, em Paris. Queria colher suas impressões a respeito do desempenho de Nicolas Sarkozy e de François Hollande, e compará-las com as minhas. Além disso, queria suas opiniões a respeito DA FRASE que colocaria este duelo na história enfrentamentos, como aconteceu com Giscard-D’Estaing e Mitterrand.

O embate fora violento, cheio de estocadas de parte a parte. Sarkozy empregou críticas como “Você mente”, “Seus números são falsos”, Hollande quer menos ricos, eu, menos pobres” e, principalmente, “Você é um caluniadorzinho”.

Hollande bateu na “vitimização” do presidente, afirmando: “Nada nunca é sua culpa”, “Você tem sempre um bode-expiatório” e que seu discurso se baseia “na calúnia e na mentira”. Mas a frase da noite, a sentença – repetida 16 vezes – que talvez venha a ser lembrada para sempre foi outra: “Moi, président…”.

O detalhe importante de “Eu, presidente…” é seu autor: François Hollande, o candidato que, a três dias da eleição ao Palácio do Eliseu, se apropriou do status de seu adversário, agregando a si próprio a estatura de chefe de Estado, de estadista, e deixando ao seu oponente a sensação de inferioridade, letal em qualquer duelo. Hollande já era favorito. E continua.