O euro, amigo, não vai acabar
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O euro, amigo, não vai acabar

andreinetto

17 de março de 2010 | 08h48

Billets_euros

Pode parecer óbvio para alguns, nem tanto para outros. Aposto com você: o euro não vai acabar.

Digo isso ciente do pânico causado nos mercados financeiros pela “revelação” da crise na Grécia e da descoberta de seu endividamento excessivo, que supera os 113% do Produto Interno Bruto (PIB). Também sei de cor o tamanho do déficit grego: 12,7% em 2009. Poderia citar números de Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, os demais países em perigo, grupo que algum inescrupuloso de mau gosto batizou de “PIIGS”.

Sei bem da gravidade da crise. Mas, ainda assim, a zona euro não vai implodir. Não sou em quem afirma isso. São economistas de peso, gente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), como seu secretário-geral, o ex-ministro da Economia do México Angel Gurría, que entrevistei em Copenhague. Ou o diretor do think tank Instituto Bruegel, Jean Pisani-Ferry, hoje um dos mais influentes economistas da Europa Continental, com o qual também tive o prazer de discutir sobre a força do euro.

E esses experts afirmam que a moeda única não vai se esfacelar por vários motivos. O primeiro deles poderia ser o pequeno peso de um país como a Grécia, ou a Irlanda, ou ainda Portugal nas contas do bloco de 27 nações. Mas há outras razões, mais sutis. E uma delas foi levantada pelo próprio Pisani-Ferry, em artigo publicado no jornal Le Monde nesta segunda-feira.

Diz ele, sobre a eventual saída de um país da zona euro: “Todos os contratos, e em especial as obrigações de dívida pública, estão selados em euros. Antes mesmo de chegar ao objetivo [abandonar a moeda única], um governo que anunciasse essa intenção provocaria uma crise financeira, porque todos se questionariam sobre as consequências de tal decisão sobre a solvência de suas contrapartes”.

Ou seja: as obrigações de dívidas euros teriam um peso tão violento nas contas públicas e abalariam de tal forma a credibilidade do país no mercado que o abandono da moeda única não evitaria uma moratória, mas a provocaria. Logo, não é uma solução plausível.

Quem apostou contra o euro desde o início da crise grega, em novembro de 2009, por certo fez muito dinheiro, ao especular com base nos Credit Default Swaps (CDS). Mas vai perder a aposta final se seguir questionando a solidez da moeda.

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