Paris eleva a prioridade ao trânsito. De pedestres
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Paris eleva a prioridade ao trânsito. De pedestres

andreinetto

14 de abril de 2010 | 19h52

Imagens: Divulgação/ Mairie de ParisA prefeitura de Paris deu mais um passo nesta quarta-feira, 15, para limitar o trânsito de automóveis na capital francesa e privilegiar o transporte coletivo, estimular o uso do sistema de bicicletas públicas – o Vélib – e, sobretudo, reforçar os vínculos sociais na cidade. Uma das principais artérias do tráfego, a freeway à margem do Sena, será em grande parte fechada aos automóveis a partir de 2012.

O projeto, que visa a “reduzir o espaço dos veículos” e “lutar contra a poluição”, foi apresentado ontem pelo prefeito Bertrand Delanoë. A experiência já é implementada aos domingos, mas será estendida a todos os dias da semana. No lugar de asfalto e dos 40 mil carros que cortam todos os dias a cidade pela autoestrada urbana, surgirá um boulevard com bancos, jardins arborizados, ciclovias, pista de cooper, quadras esportivas, um cinema ao ar livre e até ilhas artificiais sobre o Sena, que se situarão nas imediações de Concorde, no coração da cidade.

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As reformas custarão € 40 milhões, além de € 2 milhões anuais em manutenção.

O efeito colateral: segundo engenheiros de tráfego da prefeitura, a travessia de Leste a Oeste da Capital será realizada em 37 minutos, e não mais em 31. O projeto já enfrenta duras críticas – inevitáveis na França – porque tende a aumentar ainda mais os já asfixiantes congestionamentos na cidade, também perturbada pela escassez de vagas para estacionamento. Não bastasse, deve multiplicar o fluxo de passageiros sobre as 14 linhas de metrô e as quatro de trens metropolitanos, várias delas já saturadas.
Construção da vida rápida em 1964: outra época

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Mesmo com a resistência, a iniciativa deve seguir seu trajeto até a implantação, caso seja aprovada no Conselho Municipal, parlamento equivalente às câmaras de vereadores no Brasil. A ideia de aumentar os espaços de convívio público e estimular o transporte coletivo faz parte de um processo mais longo de retirada dos automóveis do âmago do transporte de Paris. Nos últimos 10 anos, o número de imatriculações 75 – o número que consta nas placas dos carros da capital – caiu 20%.

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